Grandes Paixões

 

                                                                      

       César Bórgia e Lucrécia

 

César Bórgia foi, sem dúvida, um dos homens mais perversos e frios que a historia já viu.  Imortalizado na obra máxima de Maquiavel "O Príncipe", César Bórgia passou à história como um homem de incontestável talento civil, hábil governante, excelente estrategista e de inteligência invejável. Porém Maquiavel ignorava os seus graves defeitos que quase chegam a ofuscar as suas virtudes. Ele era um homem bastante ambicioso, com inveja de tudo e de todos, muito ciumento e extremamente calculista foi dominado pelos defeitos da sua vida.

Se ele não fosse tão frio e cruel, talvez pudesse ser um dos homens mais admirados na história, visto que intelecto, talento e poder suficiente para isto ele possuía.

César Bórgia foi o primeiro filho de Joana Cahanei, dita Vanozza.

Nasceu em 1475, em Roma. A sua mãe era casada com um certo Domenico d' Arignono. Nos primeiros anos de César foi ele o seu pai. Pouco tempo depois Vanozza deu à luz  outras crianças do cardeal Bórgia: Giovanni, Lucrécia e Geofredo. Apreciava bastante Geofredo, visto que o irmão o tinha como ídolo e, além disso, estava sempre dócil a lhe "emprestar” a esposa para satisfazer os seus desejos carnais, já com Giovanni a história não era igual. A preferência que Rodrigo Bórgia dava a Giovanni irritava altamente César; e, como ele, César tinha que entrar para a igreja, pois era o filho mais velho que, convencionalmente, "elevava" e cuidava as riquezas familiares!

Desde muito pequeno, este facto sempre atormentou muito os pequenos pesadelos de César...

Aos cinco anos, ele conseguia a primeira grande vitória da vida: Sisto IV concedeu ao cardeal Rodrigo a dispensa Papal para legitimá-lo e assim ele como o pequeno Giovanni incorporariam o sobrenome Bórgia. Quando atingiu a adolescência, César foi mandado para Perugia, onde se formou advogado. Lá iniciou estudos avançados, vivendo cercado de humanistas.

No final da Universidade, foi considerada um dos mais brilhantes alunos.

Em 11 de Agosto de 1492, Rodrigo Bórgia aclamou-se Papa Alexandre VI. César de Bórgia agora seria " filho da igreja".

César assistiu ao casamento de Lucrécia, agora com 13 anos, com Giovanni Sforza. O sentimento que ele sentia pela irmã não é claro até aos dias de hoje. De uma coisa se tem certeza: era uma obsessão tendendo por se tornar doentia, era uma grande paixão da vida de César, era a irmã mais jovem e com ele tinha mantido uma relação incestuosa. César Bórgia, agora com cerca de 20 anos, era uma figura muito oposta de um religioso: além de não possuir tonsura, foi descrito "com um estampa muito agradável de se ver". Organizava festas quase diariamente e queria que a sua bela irmã dançasse para ele durante as festas. Depois de levar quatro ou cinco destas mulheres de "má fama" para o seu quarto, ele era capaz de rezar a missa e comungar normalmente na manhã seguinte.

Quando o casamento de Lucrécia se tornou um prejuízo para os Bórgia, César, na primeira e última vez na vida, uniu-se ao irmão Giovanni para pôr em acção um dos seus planos tenebrosos. Era matar o próprio Giovanni Sforza para que a irmã pudesse casar-se com um noivo muito mais vantajoso: o duque de Biscegli, filho bastardo do falecido rei de Nápoles. Lucrécia descobriu o plano escutando a conversa por trás da porta, e tomou uma atitude heróica a qual deixou o pai e os irmãos decepcionados: avisou Sforza do que o esperava, e aconselhou-o a fugir. Ela própria fez as malas do marido à pressa e o acobertou na fuga.

Ao perceber que a sua irmã havia ajudado Giovanni Sforza a fugir, César trancou-se no seu quarto com Lucrécia. Conta-se que ela gritava dizendo que estava altamente decepcionada e escandalizada com a crueldade do pai e dos irmãos, e que desejava afastar-se deles para sempre. Ela partiu, seus irmãos planejavam o divórcio de Lucrécia com Sforza, baseando-se na hipótese de que Giovanni era impotente, e que o casamento nunca fora consumado. Duas grandes falsidades.

Logo após a morte de Giovanni, outra polémica familiar ocorria: a gravidez de Lucrécia, apesar desta estar enclausurada num convento. A paternidade da criança é amplamente discutida até aos dias de hoje.

Existem teses de que o próprio César Bórgia engravidou a irmã. O que é certo é que, por algum tempo, ele realmente foi amante de Lucrécia Bórgia, mas não há como provar se ele a engravidou ou não. Pedro Calderon teve um caso com Lucrécia, mas pouco depois ele seguiu o destino de Giovanni, surgiu morto no Rio Tibre. O assassino foi  o mesmo de Giovanni: César Bórgia.

Com o assassinato do irmão, César pôde-se beneficiar amplamente. No ano seguinte, largou a batina com o pretexto que ele mesmo tinha de cuidar das riquezas da família. Porém, um casamento de Lucrécia começa a tornar-se desconfortável para César.

No ano seguinte, Giovanni Sforza, o primeiro marido de Lucrécia Bórgia, é o desprovido de Pesaro por César. Mas diziam os boatos que o próprio príncipe Mangredi nutria uma paixão pelo duque Bórgia. Foi assassinado meses depois, Valentino é o acusado pelo crime.

Agora a riqueza (de César Bórgia) podia comparar-se à de qualquer rei da Europa.

Dizia-se que César tinha transformado "um irmão em corno e outro em cadáver". "Assassinato é a sua violência mais subtil e estupro é o seu prazer mais necessário."

Ao tomar Urbino, César também adquiriu as obras de arte guardadas no palácio. César adoeceu quase que mortalmente.  César Bórgia estava doente demais para impedir que suas possessões fossem saqueadas, e que os antigos governantes depostos por ele não voltassem às suas antigas propriedades. Para evitar o desconforto, César Bórgia põe em acção mais um dos seus planos malignos e sangrentos: o de matar o próprio Afonso de Biscegli. Lucrécia estava grávida agora, e César conseguia convencer a irmã e o cunhado a ir ter a criança em Roma, aí nasceu e foi chamado Rodrigo.

Diz a lenda, que ao entrar montado no seu cavalo nas ruas de Roma, após sua campanha vitoriosa, César avistou uma imagem de Júlio César, imperador pelo qual ele sempre nutriu profunda admiração e se alegrava por ter inspirado o seu nome, soltou a frase que se tornaria o seu mote: " Aut César, aut nihil". Quem nunca escutou a famosa frase " Ou César, ou nada"? Mas a maioria de nós imagina que ela foi proferida por um imperador romano, mas na realidade é provavelmente da autoria do próprio César Bórgia. Do Valentino ou não, o dilema define-o. Nesta época, César sustentava o sonho, que parecia não estar muito longe, o de unificar toda a Itália e ser aclamado como o próprio Rei Supremo da Península. Talvez se as circunstâncias não tivessem conspirado tanto contra ele, ele o tivesse realizado.

- César Bórgia tinha sido preso, ficando sem comer muito tempo, sua irmã Lucrécia bem o tentou libertar e ele ainda escapou, mas logo foi apanhado e não sobreviveu.

O corpo de César Bórgia foi cremado, e suas cinzas depositadas na Igreja da Santa Maria Maggiore, em Roma. As cinzas sumiram, apesar de bem guardadas, e até hoje não se sabe o seu paradeiro. Diz a lenda que Lucrécia Bórgia conseguiu que Michelotto roubasse os restos do irmão para ela.

  

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