Grandes Paixões

 

                                                                      

       D. Pedro e D. Inês

No século XIV, D. Afonso IV, rei de Portugal, combinou o casamento do seu filho Pedro, herdeiro do trono de Portugal, com D. Constança, nobre senhora de Castela. A entrada de D. Constança em Portugal fez-se no meio de grande comitiva de gente ilustre. Houve música, danças e poesia de trovadores. Na companhia da jovem princesa viera de Castela uma linda moça, dama de honor de linhagem fidalga, que se chamava Inês. Inês de Castro vivia na corte com D. Constança e D. Pedro, desfrutando dos afazeres do dia-a-dia, a leitura, a música e as danças, a poesia trovadoresca.

A sua elegância e beleza encantadora fizeram com que o príncipe D. Pedro reparasse nela e, em breve, o fogo do amor e da paixão dominou o coração de Pedro. Os encontros dos amantes tornavam-se cada vez mais frequentes. D. Constança vivia cada dia mais angustiada e triste e acabou por falecer de parto. D. Pedro ficou livre para cair nos braços de Inês. A força do amor era tão intensa que D. Pedro mandou vir Inês de Castro para Coimbra. D. Pedro e D. Inês passaram a habitar nos paços de Santa Clara, na margem esquerda do rio Mondego. Aqui nasceram e brincaram felizes os seus filhos, por entre a ternura dos pais, o verde das flores e o azul do céu. Entretanto, em Lisboa, D. Fernando, filho de D. Pedro e D. Constança, ia sendo educado para um dia ser rei. O que aconteceria se D. Inês, fidalga castelhana, viesse a ser rainha? Era bem possível que um dos seus filhos viesse a ser rei de Portugal, ainda que fosse necessário matar o legítimo herdeiro do reino... Seria então fácil a nobreza castelhana tomar o poder e Portugal perder a independência. No início de 1355, o príncipe D. Pedro não podia imaginar o que estava a ser tramado contra a bela Inês. Por isso, partiu para uma caçada por montes e florestas, com os seus amigos. No dia 7 de Janeiro, ao cair da noite, Inês de Castro foi surpreendida pela chegada do Rei e conselheiros. Rodeada dos seus 3 filhos, Inês implorou ao Rei que lhe poupasse a vida em consideração pelos seus netos. Apesar dos apelos lancinantes, quando o luar chegou, Inês estava morta.

Ao saber da notícia, D. Pedro enraivecido desafiou o rei. A rainha promoveu a paz. Mas, ao chegar ao trono, D. Pedro não esqueceu o ódio contra os assassinos que friamente mataram a sua Inês. Mandou procurá-los e, cruelmente, foram mortos: a um foi tirado o coração pelo peito, a outro pelas costas enquanto D. Pedro se banqueteava lautamente. No final, ainda D. Pedro teve coragem para trincar os dois corações.

O Rei D. Pedro mandou construir no Mosteiro de Alcobaça dois  túmulos sumptuosos e mandou também transladar a amada de Coimbra para Alcobaça num cortejo fúnebre seguido por uma multidão de populares, que choravam a desgraça de Inês, e por nobres e clérigos que foram obrigados a comparecer.

Diz a lenda que D. Pedro fez coroar Inês de Castro rainha e obrigou a nobreza a beijar-lhe a mão, depois de morta.

 

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