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às ou ás?



As duas formas existem.
Às é o plural de à e corresponde à contracção da preposição "a" com o artigo definido "as" (a + as = às).
Ás é uma designação de uma carta de jogar (por exemplo o ás de copas).

Exercício:


   Às ou ás?


Ele foi _______ nove horas para casa.
Ele jogou o _______ de copas.

 


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À, á, há ou ah?

 

á ou à



Muitas pessoas têm dificuldade na colocação do acento no "a" e, erradamente, optam pelo acento agudo (´). Com efeito, sempre que se trate de utilizar a preposição "a" contraída com o artigo definido "a", o acento é grave.


Exemplificando:

O João vai à feira = O João vai a (prep.) + a (art.) feira
a + a = à



O acento grave só surge em mais seis palavras portuguesas. A saber:

às (a + as) Ex. Ele foi para casa às quatro horas.
àquele (a + aquele) Ex. Ele foi àquele sítio de que te falei.
àquela (a + aquela) Ex. Ela foi àquela conferência.
àqueles (a + aqueles) Ex. Eles foram àqueles bares famosos.
àquelas (a + aquelas) Ex. Elas foram àquelas lojas.
àquilo (a + aquilo) Ex. Não ligues àquilo que ele disse.


Por isso não se enganem: este "á" não existe!
 

· à ou há


Já vimos de onde surgiu a palavra à. No entanto, ela é facilmente confundida com a sua homófona . Ora, este segundo vocábulo é uma forma do presente do indicativo (3.ª pessoa do singular) do verbo haver. Este verbo tem várias significações e uma das formas de termos a certeza de que se trata da forma verbal, é substitui-la por um sinónimo, como "existe".


Exemplificando: Ele disse que há/ à um acento na palavra
Ele disse que existe um acento na palavra
= Ele disse que há um acento na palavra.


O exemplo tenta demonstrar, que sendo possível substituir-se a palavra pela forma verbal "existe", ficamos a saber que devemos utilizar a forma do verbo haver, ou seja, "há".


Veja-se outro exemplo:
O João vai à/há escola.
O João vai existe escola (não faz sentido) = O João vai à escola.
 
No entanto, nem sempre este truque resulta. Assim, aconselha-se um outro: substituir a palavra por "havia". Se a frase ficar com sentido, é porque se trata da forma "há", caso contrário, será a palavra "à".


· E a forma "ah"?


"Ah" é uma interjeição exclamativa. Serve para exprimir admiração.
Ex. Ah, que bebé tão lindo!



Elucidados? Espero que sim. Então vamos ver se aprenderam a lição.
Completem os espaços do seguinte texto com as formas à/ há ou ah.


Clica aqui e faz o  exercício proposto!

 


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ABAIXO/ ABAIXO DE

 

1. Escreve-se ABAIXO .quando se trata de um advérbio de lugar ou se trate de uma interjeição:

Ex:

O Zé rebolou pelas escadas abaixo. advérbio de lugar

 

Abaixo a preguiça! interjeição

 

 

2. Escreve-se ABAIXO DE .quando se trata de uma locução prepositiva

Ex:

Estão cinco graus abaixo de zero. locução prepositiva

 

 

3. Escreve-se A BAIXO .quando se trata de uma expressão adverbial

Ex:

Quando estiquei a toalha na mesa, rasguei-a de alto a baixo. expressão adverbial

 

Clica aqui e faz o exercício proposto!

 

1. O patrão tratou-o ________ cão.

2. _________ Bolívia está a Argentina.

3. O vento deitou _________ o coreto.

4. A toalha rasgou de cima ___________.

5. ___________ os despedimentos colectivos!

6.A bola foi pelo regato __________.

7. O Zé tremeu todo de alto _____.

 

 

 

 

 

 


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A cerca de/ acerca de/ há cerca de

 

 

 

Estes três termos causam algumas dúvidas e muitas vezes surgem escritos ou empregados de forma errada. Vamos então proceder à distinção:

 

a cerca de = perto de, aproximadamente, à volta de

acerca de = sobre, a respeito de, relativamente a, quanto a

há cerca de = existem perto de, faz aproximadamente

 

1. Escreve-se ACERCA DE, com o sentido de "a respeito de":

O professor, na aula de ontem, falou acerca da droga.

 

2, Escreve-se CERCA DE com o sentido de "mais ou menos":

Cerca de 60% dos alunos só estudam antes dos testes.

 

3. Escreve-se HÁ CERCA DE com o sentido de "intervalo de tempo":

O autocarro passou há cerca de 5 minutos.

Exemplificando:

 

Essa loja fica a cerca de cem metros daqui. (=aproximadamente a cem metros...)

Ele vai dar uma conferência acerca de problemas ortográficos. (= sobre)

Há cerca de dois anos que não o vejo. (=faz aproximadamente)

 

 Exercícios: Completa com as expressões a cerca de, acerca de ou há cerca de.

a) A minha casa fica __________________ cinco minutos da escola.

 b) O rapaz deu respostas correctas ____________________ todos os assuntos.

 c) Ele deixou de fumar ___________________ dois meses.

d) ____________________ números, aconselho-te a leres este artigo.

 e) Comecei este trabalho ______________________  uma semana.

f) A passadeira está _______________________ cem metros da paragem.

 

 

 

Exercícios:

1. Falámos ______ de tudo e mais alguma coisa.

2. Foi _________ de um ano que Timor se instituiu como nação independente.

3. Não sei nada __________ disso.

4. Portugal tem ___________10 milhões de habitantes.

5. Estive em Évora ____________ de um mês.

6. Foi uma grande festa: estavam _______  duzentas pessoas.

7. São ________40%, os condutores portugueses que não têm por hábito colocar os seus filhos pequenos nas cadeirinhas de segurança.

8. O seminário foi __________ da poluição. 9. -O teu trabalho é __________ quê?

10. -O que me dizes __________ de irmos dar uma passeata?

11. -Há quantos meses não cortas esse cabelo?

Não sei... __________ de três, talvez.

 

 

De acordo com cada situação, completa as frases com as expressões acerca de ou há cerca de:

 

a) Venho hoje falar ______________ um assunto que a todos interessa.

b) O comboio partiu _______________ uma hora.

c) Este livro fala _________________ sais minerais e vitaminas.

d) Falaremos na próxima aula _________________ triângulos.

e) Galileu viveu ______________ cinco séculos e investigou _________________ corpos celestes.

 

 

 


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ACENTO/ ASSENTO

 

 

1. Escreve-se ACENTO:

A palavra "outrem" não tem acento. ACENTO: sinal ortográfico.

 

2. Escreve-se ASSENTO:

O livro ficou no assento do carro. ASSENTO: lugar onde nos sentamos.

 

 

Exercícios:

1. O sofá está quase pronto, só falta o __________.

2. Tu não sabes pôr os ________ nas palavras.

3. A minha filha pequena fez deste vaso um _________: olha para isto!

4. Esta camioneta tem os _________ todos estragados.

5. Este ________ põe-me o rabo dormente.

6. Este cadeirão está velho: tem as molas já a sair do ___________.

7. Todas a palavras esdrúxulas têm __________;

8. Que __________ são utilizados no português de Portugal?

 

 

 

 

 


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À falta de/ Há falta de

 

 

"À falta de melhor, envio-te este..."

ou

"Há falta de melhor, envio-te este..."

 

A forma correcta é a primeira, uma vez que a expressão "à falta de" utiliza-se para referir a ausência de alguma coisa superior ou mais adequada àquilo que pretendemos.

 

No entanto, noutros contextos podemos usar a expressão "há falta de", em frases como:

Há falta de competências da tua parte para corresponderes ao que é pedido. (=existe falta de)

 

À falta de melhor explicação, deixa-se ficar esta.!!!!!!!

 

 

 


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Acessibilidades ou acessos?

 

 

 

 

"Os bombeiros não puderam chegar mais cedo devido à falta de acessibilidades ao local do incêndio."

 

*Encontra-se aqui um erro frequentemente difundido pelos diferentes órgãos da Comunicação Social.

 

Acessibilidade é a “qualidade de ser acessível”, “a facilidade na aproximação, no trato ou na obtenção”. Não é um sinónimo de acesso.

Assim,

 

- Os bombeiros não puderam chegar mais cedo devido à falta de acessos ao local do incêndio.

- O estádio tem boa acessibilidade, graças ao elevado número de acessos.

 

 

 


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Anteontem ou antes de ontem

 

 

 

 

Ambas as formas estão correctas do ponto de vista linguístico. Contudo, quando nos queremos referir rigorosamente ao dia anterior, a ontem, será preferível optar pelo advérbio de tempo, anteontem. Isto porque a expressão "antes de ontem" pode não transmitir com precisão a ideia de "dia anterior a ontem". Observe-se o exemplo: «Até antes de ontem, eu julgava não saber fazer aquilo.»

 

 Concluindo, embora ambas as expressões possam ser usadas com o mesmo sentido, a forma "anteontem" traduz com mais rigor a ideia do dia anterior ao de ontem.

 

 

 


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Antes de mais ou antes demais?

 

 

 

Antes de mais, quero apresentar-me...

Antes demais, quero apresentar-me...

 

Qual a forma correcta?

 

Tal como se refere no artigo De mais/ Demais (demais / de mais), a palavra "demais" tem  o sentido de "além disso" ou "os outros", logo a expressão correcta a usar será " antes de mais"

Antes demais

 

 

Antes de mais

 

A mesma aplica-se no dito popular:

"Antes de mais do que de menos"

 

 

 

 

 

 


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Alugar ou arrendar?

 

«Diz-se arrendar uma casa ou alugar uma casa? »

 

Os dicionários indicam-nos os termos arrendar e alugar como sinónimos, no entanto, é feita uma distinção.

 

Devemos utilizar o termo

 

*alugar quando se trata da locação de bens móveis (ex. um automóvel)

*arrendar quando se trata de bens imóveis (ex. uma casa).

 

Esta distinção aparece-nos referida em vários dicionários. Por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora publicado em 1952, o termo arrendar surge-nos como "dar ou tomar um prédio de renda", enquanto que alugar  surgia como "dar de aluguer", sendo o termo aluguer definido como "aquisição ou cessão de um objecto ou serviço por tempo e preço determinado".

 

Também no Código Civil, no artigo 1023, é mantida a mesma distinção: «A locação diz-se arrendamento quando versa sobre coisa imóvel, aluguer quando incide sobre coisa móvel.»

 

Assim, seguindo estas regras, deveríamos dizer "arrendar uma casa", até porque dizemos que pagamos uma "renda". 

 

 


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Aonde ou onde?

 

Repara nos vários pontos de vista!

 

 

Onde = lugar em que/ em que (lugar). Indica permanência, o lugar em que se está ou em que se passa alguma coisa. Complementa verbos que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a preposição em:

 

        Onde estás? – Em casa.

·          Onde mora a Maria?

·          Não entendo onde ele estava com a cabeça quando falou nisso.

·          Não sei onde me apresentar nem a quem me dirigir.

 

Aonde = a que lugar. É a combinação da preposição a + onde. Indica movimento para algum lugar. Dá ideia de aproximação. É usado com os verbos ir, chegar, retornar e outros que pedem a preposição a.

 

Exemplos:

 

·           Sabes aonde eles foram? – Ao cinema.

·           A mulher do século 21 sabe muito bem aonde quer chegar.

·           Aonde nos levará esta discussão?

·           Estavam à deriva, sem saber aonde ir.

·           Há lugares no universo aonde não se vai sozinho.    

   

onde e aonde (+)



Aonde é a soma de dois vocábulos, a preposição A + o advérbio ONDE. Ora, a presença da preposição restringe o emprego de aonde àqueles verbos de movimento que naturalmente exigem essa preposição: dirigir-se A, ir A, chegar A, etc.

    "Aonde te diriges? Aonde vais? Aonde chegou a violência urbana".

 

    Usar aonde com verbos que não exijam o "A" é considerado erro de regência. Nas seguintes frases, o aonde está errado, e deveria ser substituído pela forma simples onde:

 

"*Aonde está minha camisa?";

"*Aonde ficou o cachorro?"

 "Encontrei a Fulana. É? *Aonde?".

 

 Por outro lado, nada impede que se  utilize onde como forma genérica, válida mesmo nos casos em que se pode usar aonde:

"Onde foste ontem?".

*
Não existe diferença no uso desses vocábulos. Nossos escritores clássicos, em que nossa gramática tradicional baseia a maior parte das regras que formula, usam indiferentemente onde e aonde.

 

+ informação:


 

ONDE existe, mas às vezes não se recomenda...


Este relativo - onde - é com frequência usado incorrectamente, dando origem a erros não ortográficos, mas sim sintácticos. Observem-se os seguintes exemplos:


* Este foi o jogo onde a nossa equipa obteve melhores resultados.
* Ninguém faltou à reunião onde se aprovou o novo regulamento.

Como já foi dito, ONDE exprime a ideia de “o lugar em que”, devendo, por isso, ser associado unicamente a nomes locativos, isto é, nomes que designam um local ou espaço físico. Por exemplo:

Na cidade onde vivo, há muitos espaços verdes.
Fechei à chave o armário onde guardei os documentos.

“Jogo” e “reunião” são nomes que não exprimem essa ideia. Antes pelo contrário, se reflectirmos um pouco, aos mesmos está subjacente uma certa ideia de tempo.
No entanto, não basta que o nome que antecede este pronome seja um locativo; é necessário ter atenção também ao verbo que o segue, o qual deverá reger a preposição em:

A igreja onde casaram é muito antiga. (Casar em)
*A igreja onde visitei é muito antiga. (Visitar alguma coisa)


Nos casos em que o verbo rege a preposição em, mas o nome não é um locativo, devem usar-se os relativos em que ou no/a qual:

Este foi o jogo em que a nossa equipa obteve melhores resultados.
Ninguém faltou à reunião na qual se aprovou o novo regulamento.

(Nota: O asterisco ou
indicam que a frase é agramatical, ou seja, incorrecta do ponto de vista sintáctico)

 

+ informação:


AONDE existe e recomenda-se!


Muita gente pensa que a palavra aonde não existe, porque julga tratar-se do mesmo -a- que se acrescenta a alguns verbos para dar uma certa ideia de “balanço”, por exemplo: *amandar (em vez de mandar), *assentar-se (em vez de sentar-se), entre outros.
Desenganem-se, porque, apesar da inexistência desses pseudo-verbos, de facto, AONDE existe e recomenda-se!

Comecemos por observar os contextos de uso do pronome que lhe deu origem

 

ONDE. Este pronome significa “em que lugar” e é usado com verbos estativos, ou seja, que não contêm a ideia de movimento, por exemplo: Onde estiveste ontem?


O pronome AONDE, pelo contrário, significa “a que lugar” e é usado com verbos de movimento, por exemplo: Aonde foste ontem?
Para comprovar a existência de AONDE, sugire-se que observem as seguintes três respostas e as suas respectivas perguntas:

Resposta 1: “Vim por Alcácer do Sal. ”Pergunta: “Por onde vieste?”
Resposta 2: “Venho de Coimbra.” Pergunta: “De onde vens?”
Resposta 3: “Vou para casa.” Pergunta: “Para onde vais?”

Podemos concluir que a preposição presente na resposta tem obrigatoriamente de estar na pergunta. (para uma resposta “Vim por Alcácer”, a pergunta nunca poderia ser “onde vieste?”).
Ora, tal como POR, DE e PARA, A também é uma preposição. Logo, parece lógico que quando a (preposição) encontramos numa resposta, a mesma tenha de ocorrer na pergunta, como verificámos com as preposições acima. Assim,

Resposta: “Vou a casa buscar um casaco.” Pergunta: "AONDE vais?"

A única diferença é que a preposição A, como se sentia muito só, pediu o pronome ONDE em casamento, daí a aglutinação – aonde !!

 

 

 


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Apresentar-se-à ou apresentar-se-á?

 

 

 

 

Eis um erro que dava com frequência...

 

Pois a forma correcta da acentuação do a é com acento agudo (á).

Afinal até é fácil de entender. Em primeiro lugar, temos de ter consciência de que o acento grave na nossa língua só surge em 7 palavras, a saber, à (contracção de a + a), às, àquele, àquela, àquelas, àqueles, àquilo. Para além disto, temos de perceber que a forma apresentar-se-á é a conjugação pronominal reflexa, no futuro do indicativo, do verbo apresentar. Dito de uma forma mais simples, apenas adicionámos o pronome se ao verbo, separando o radical da terminação.

 

Ou seja, fez-se isto:

apresentará = apresentar + á

apresentar-se-á = apresentar+se+á

 

*O mesmo acontece com outros pronomes:

apresentar-lhe-á

dirigir-se-á

dar-lhe-ás

 

 

 

 

 


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Bem haja ou Bem aja

 

 

 

 

A forma correcta é bem haja.

 

Trata-se de uma forma de agradecimento, equivalente a "tenha tudo de bom".

Ex: "Bem haja, pela ajuda que me deu!"

 

Quanto a "bem aja" não funciona propriamente como uma expressão, mas também pode ser usada como um conselho:

 

*bem aja = execute algo bem, faça algo bem, proceda de maneira correcta. Enquanto "haja" é uma forma do verbo haver, "aja" é uma forma do verbo agir.

 

E já agora:

 

Bem haja por visitar esta página!

 

 

 

 


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Bem-vindo senhor Benvindo

 

 

 

 

Esta é uma palavra, que por aparecer escrita de variadas formas, suscita a dúvida. Contudo, a forma correcta é bem-vindo, isto quando queremos dar as boas-vindas a alguém, por exemplo ao Sr. Benvindo.

 

Assim:

 

Bem-vindo a esta página. 

 

Benvindo a esta página.

 

 

 

 

 

 


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Calçar ou vestir luvas?

 

 

 

Devemos dizer calçar as luvas.

 

Esta escolha verbal está relacionada com o facto de usarmos o verbo calçar quando queremos dizer que “vestimos” os membros inferiores.

 

Como as mãos também são membros, embora superiores, por analogia empregamos o mesmo verbo. Assim, dizemos:

 

- Calçar os sapatos

- Calçar as meias

- Calçar as luvas

 

 

 

 


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Chamar a atenção ou chamar à atenção

 

 

 

Ambas as expressões existem mas têm significados diferentes, conforme regista o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.

 

·   Chamar a atenção – significa “despertar interesse ou curiosidade” ou “ser bem visível”. Pode também significar “fazer notar ou destacar” quando seguida das preposições de, para ou sobre.

 

·   Chamar à atenção – significa “fazer uma crítica ou um reparo”.

 

Vejamos alguns exemplos:

 

- Esta imagem chama a atenção.

- Aquele quadro chama a atenção por causa das cores.

- Ela chamou a atenção do filho para a limpeza do quarto.

- Os alunos foram chamados à atenção.

 

 


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Climático ou climatérico 1

 

«Condições climáticas

ou

Condições climatéricas

 

Embora climático e climatérico sejam adjectivos sinónimos, é preferível optar-se pelo termo "climático" para nos referirmos ao clima.

Esta opção deve-se a dois factores:

 

1) existe o adjectivo climactérico, ligado ao nome climatério que designa a fase anterior à menopausa na mulher;

2) o adjectivo climatérico é um galicismo (termo adoptado por influência do francês).


Assim, devemos dizer:

condições climáticas.

 

Climático ou climatérico 2

 

"Acerca da utilização indevida do termo Climatérico - este termo é frequente e incorrectamente usado tanto como sinónimo de Estado do Tempo , como de Clima. É o resultado da influência que o francês teve sobre a nossa língua, devendo por isso ser classificado como um Galicismo, Barbarismo ou Estrangeirismo.

 

1) Em primeiro lugar não deve ser usado na nossa língua porque existem termos em português que definem as condições atmosféricas momentâneas, às quais geralmente se querem referir aqueles que o usam. Neste caso é aconselhável o uso de "estado da atmosfera" "estado do tempo" ou "condições atmosféricas".

 

2) Também não deve ser utilizado como sinónimo de "climático" porque o clima é definido por um conjunto de repetições de estados do tempo típicos, que lhe conferem características médias, empiricamente previsíveis, e com ritmos anuais e mensais mais ou menos bem definidos. A Organização Meteorológica Mundial propõe a utilização de períodos não inferiores a 30 anos para definir um tipo climático (normal climatológica). Também neste caso não é lógico utilizar o termo "climatérico" porque raramente é utilizado com este sentido e, quando o é, já existe um termo em Português - CLIMÁTICO.

 

3) Por último, mas não menos importante, climatérico é referente ao climatério, que significa Menopausa. "

 

António Lopes, Professor Auxiliar da Universidade de Lisboa

 


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CUMPRIMENTO /COMPRIMENTO

 

 

1. Escreve-se COMPRIMENTO, com o sentido de "medida", "extensão": Esta parede tem três metros de comprimento.

 

2. Escreve-se CUMPRIMENTO, com o ; sentido de "saudação": -Dê-lhe os meus cumprimentos.

 

 

Exercícios:

 

1. "Com o melhores _________."

2. O véu da noiva tinha três metros de _____________. ‘;

3. O _____________ é sinal de boa educação.

4. Esta estante tem meio metro de largura e um metro de __________.

 


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Feminino de "clínico geral"

 

 

 

 

Clínico geral é uma forma abreviada de designar um médico de clínica geral. Por isso, o feminino é médica de clínica geral.

 

 


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Com certeza ou concerteza?

 

 

A resposta é fácil: deve-se usar sempre duas palavras e nunca uma única.

 

 

1. Escreve-se COM CERTEZA:

 

-Que barulho é este?

-É, com certeza, o Zé a cantar com os auscultadores nos ouvidos.

 

 

**********************2. "concerteza" é palavra que não existe!

 

Exercícios:

 

 

1. O Zé não veio. __________ perdeu o comboio.

2. Juro! Digo-to eu _______ toda a _______.

3. É uma casa portuguesa _______.

4. Não consegues dormir? __________ queres que te dê umas massagens...

5. ________ ou sem certeza, o melhor é ir ver se a porta ficou bem fechada.

6. Fiquei com o cabo da esfregona na mão, _________ a madeira apodreceu.

7. ________ já sabes, mas eu digo-te na mesma: tirei Muito Bom a Matemática!

8. O Manuel ainda não acendeu a lareira. _________ está à espera que eu o faça.

 

 

 


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COM TUDO / CONTUDO

 

 

1. Escreve-se CONTUDO; conjunção adversativa (tal como "mas", "porém"):

Estudei que me fartei e, contudo, só tirei 35% no teste de Matemática.

 

2. Escreve-se COM TUDO:

Perdi o meu copianço com tudo lá explicadinho! ...

 

Exercícios:

 

1. Perdi a minha mochila _________ o que tinha lá dentro.

2. Tenho dinheiro e __________ não sou feliz.

3. _________ isto desarrumado, nem penses que vais sair esta noite!

4. ___________ o que tens feito, pode-se dizer que tens um bom currículo.

5. Nasci à beira-mar, ________ não sei nadar.

6. Volta a arrumar as prateleiras __________ como estava.

7. Estudei bastante, ________ parece que não sei nada.

8. _________ isto misturado, é como achar uma agulha num palheiro.

9. Fiquei transtornada _________ o que me contaste.

10. Já pus uma lâmpada nova, ________ continuamos sem ter luz.

11. __________ o que reuni na Internet, já posso fazer um bom trabalho.

 

 


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“Penso eu de que…” e outros problemas de regência com verbos"

 

A expressão “penso eu de que” proferida pelo Bimbo da Costa, um dos bonecos do Contra-Informação”, serviu para caricaturar uma tendência para o uso errado da expressão “de que”.

 

O verbo pensar não exige a preposição “de”, porque não pensamos “de alguma coisa”, pensamos em alguma coisa, logo, “pensamos que”.

Já outros verbos, em determinados contextos, requerem o uso da preposição de.

 

Vejam-se alguns exemplos:

 

    a) Ele informou-o de que iria chegar tarde.

    b) Ele informou que iria chegar tarde.

 

 Quando o complemento indirecto (a pessoa a quem damos a informação) se encontra expresso, o verbo deve vir seguido da preposição “de”. Assim, quando se informa alguém acerca de alguma coisa = informar de que.

 

Quando não se indica a pessoa a quem se destina a informação, não se utiliza a preposição “de”, conforme se verifica em b).

 

    c) Ele certificou-se de que tudo estava preparado para a reunião.

    d) Ele certificou que ele tinha estado presente na reunião.

 

Quem se certifica, certifica-se de alguma coisa. Por isso com a forma reflexa do verbo certificar, devemos utilizar a preposição de. Já quando se usa o verbo certificar, com o sentido passar uma certidão ou de atestar, não é necessária a preposição.

 

Assim, a expressão “de que” aplica-se quando podemos aplicar ao verbo a expressão “de alguma coisa”, como em:

    • Ele assegurou-se de que estava tudo bem fechado.

    • Ele convenceu-se de que tinha razão.

    • Ele apercebeu-se de que estava enganado.

    • Ele lembrou-se de que tinha deixado o forno ligado.

 

Não se deve usar a preposição “de” com os verbos: afirmar, anunciar, comunicar, confessar, declarar, dizer, expor, manifestar, noticiar, ordenar, pretextar, proferir, publicitar, saber.

 

Portanto:

 - Ele declarou que ia embora.                -Ele declarou de que ia embora.

 - Ele informou o pai de que ia embora.   - Ele informou o pai que ia embora.

 

 

 


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De mais/ Demais

Às vezes demais é de mais!


Quem escreve bem sabe que a locução adverbial de mais é o oposto de de menos e, portanto, deve ser usada em frases em que exprime quantidade excessiva, como esta:
Comer de mais é prejudicial para a saúde.
 

Essas pessoas não confundem a locução de mais com outro advérbio, demais, que significa o mesmo que "além disso". Demais, até existe uma variante do mesmo advérbio, que é ademais, exactamente com o mesmo sentido. E há ainda a expressão demais a mais, cujo significado é semelhante a "ainda por cima".
No entanto, tem havido uma tendência crescente para escrever a locução de mais como uma só palavra, a tal ponto, que alguns dicionários, como o Priberam (da Texto Editores), já atestam que demais significa o mesmo que demasiado, assim como algumas gramáticas, como a Saber Falar, Saber Escrever (Dom Quixote), incluem demais nos advérbios de quantidade.
Mais uma vez, conclui-se que os falantes é que vão moldando a língua de acordo com a sua vontade.
 

Mas onde vai ficar aquele demais que se usa muito, em registo familiar, como adjectivo: quando exclamamos que alguém é demais! Porque nesse caso, não nos estamos apenas a referir a uma quantidade excessiva (embora essa ideia esteja, obviamente, na base do seu uso. "Tu és demais" implica "mais do que eu posso suportar, conceber, etc."). Mas esse demais não é propriamente o oposto de de menos, (alguém exclama "ela é *demenos!"?), trata-se de uma palavra que falta definir "oficialmente", embora todos saibamos que o seu sentido, na maior parte dos contextos, está próximo de "incrível, espantoso, surpreendente".


E o que também é surpreendente é que esse novo adjectivo pode igualmente ser usado com um sentido depreciativo, tal é a sua riqueza expressiva. Imaginem uma mãe a ralhar com o filho por deixar sempre o quarto desarrumado. Pode dizer, com toda a naturalidade: "Olha para esta confusão, rapaz! Safa, tu és demais!"

 

Em Síntese:

a) De mais significa demasiado, a mais. É o oposto de "de menos".

 

    Ex.

    Ela é bonita de mais.

    Ele come de mais, por isso está gordo!

    Está calor de mais para o meu gosto.

 

Escreve-se DE MAIS, com o sentido de "demasiado, "a mais":

Já estás a falar de mais.

 

 

b) Demais pode significar:

 

1. além disso, de resto

 

    Ex. Chega de conversas; demais, dói-me a cabeça 

  

2. DEMAIS, com o sentido de "os outros", "os restantes":

 

      Ex. A Maria e os demais alunos não tiveram aulas.

         Ex. Portugal e os demais países da Europa têm de cumprir o pacto de estabilidade.

 

 

Exercícios:

 

1.Isto é _________.

2. Estás a comer ________ .

3. Portugal e os __________ países da Europa não têm pena de morte.

4. A Máfia raptou uma testemunha. Ela sabia __________.

5. Bebeu dois copitos e já está a falar __________;

6. Três alunos saíram da sala e os _________ ficaram lá dentro.

7. Estou cansada __________ para agora te estar a aturar.

8. Não corras _________ que ficas com dor de barriga.

 


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De certo ou decerto?

Na frase:

«De certo que estás cansado para te ires deitar tão cedo!»

a expressão de certo está ou não correcta?

 

Quando tem o sentido de "com certeza" ou "certamente", devemos empregar o advérbio decerto que não deve ser confundido com a preposição de e certo (determinante indefinido variável).

 

Ex. Não gosto do ar de certo indivíduo que costuma passar aqui.

 

Assim, em português correcto:

 

"Decerto que estás cansado para te ires deitar tão cedo!"

"De certo que estás cansado para te ires deitar tão cedo!"

 


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Diga-me o número de pessoas que vai estar/ vão estar...

 

 

 

 

 

Em frases em que o sujeito é a expressão «o número de...» o verbo fica no singular, pois o sujeito é singular - número.

 

A resposta correcta é: «Diga-me o número de pessoas que vai estar presente»

 

 


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Descriminar ou discriminar?

 

Observemos a seguinte frase:

 

·    Ele foi acusado de descriminar o trabalhador devido à sua cor de pele.

 

 Esta frase está errada. O verbo descriminar que significa “absolver alguém de uma culpa”, “justificar” foi confundido com o verbo discriminar, cujo significado é “diferenciar”, “distinguir”, “segregar”, “separar”, “discernir”.

 

Assim, discriminamos alguém quando o distinguimos em relação a outros, discriminamos os elementos de uma factura, mas os juízes descriminam os réus quando os declaram inocentes.

 

Portanto, em português correcto:

 

  Ele foi acusado de discriminar o trabalhador devido à sua cor de pele.

 Ele foi acusado de descriminar o trabalhador devido à sua cor de pele.

 


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Desapercebido ou despercebido

 

Qual é a frase correcta?

        a)      Ele passou tão desapercebido que ninguém deu pela sua passagem.

b)      Ele passou tão despercebido que ninguém deu pela sua passagem.

 

A resposta acertada seria a da alínea b).

 

Repara na distinção entre os dois termos:

 

- Desapercebido = Significa “desprevenido; desguarnecido; desacautelado”.

        Exemplo:

 

És tão desapercebido. Não te apercebeste que ela estava a brincar contigo.

 

- Despercebido = Significa “que não se vê, não se ouve, não se nota ou mal se sente”.

 

Exemplo:

Com um gesto despercebido, ele roubou-lhe a carteira.

 

Com esta palavra também se formam as seguintes expressões:

 

- fazer-se despercebido = fingir que não se percebe alguma coisa.

- passar despercebido = passar sem ser notado.

 

 


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Com ou sem hífen

 

A língua portuguesa, como qualquer língua viva, está sempre a evoluir. Enquanto algumas palavras vão caindo em desuso e desaparecem, muitas outras surgem. E este nascimento de novas palavras, muitas vezes formadas a partir de outras, causa-nos dúvidas na escrita.

A colocação ou não de hífen é um dos problemas que nos surgem com frequência. Esta dificuldade pode ser atenuada se conhecermos algumas regras.

 

1-Auto-estrada ou autoestrada? Infra-estrutura ou infraestrutura?

 

O prefixo auto exige hífen quando o segundo elemento é independente (uma palavra com significado próprio) e começa por uma vogal, h, r ou s. Assim, escrevemos auto-estrada, mas escrevemos autobiografia. A mesma regra aplica-se a outras palavras formadas com os elementos gregos: “contra”, “extra”, “hetero”, “infra”, “neo”, “proto”, “pseudo”, “supra” e “ultra”. Por isso, enquanto o Acordo Ortográfico de 1990 não entrar em vigor, devemos escrever:

 

·   Hetero-avaliação 

·   Neo-republicano

·   Infra-estrutura

·   Supra-renal

 

Mas:

 

·   Neologismo

·   Pseudónimo

·   Supranumerário

 

2. Mal-criado ou malcriado?

 

 

O prefixo “mal”só se separa se o segundo elemento começar por vogal ou h.

Portanto, escreve-se malcriado, mas mal-educado.

A mesma regra aplica-se com o prefixo “pan”, como por exemplo em pan-helénico.

 

3. Superhomem ou super-homem?

 

Com “hiper”, “inter” e “super” aplica-se hífen antes de h ou r como em super-homem, inter-regional ou hiper-ridículo.

 

4. Sub-urbano ou suburbano?

 

 

Palavras formadas com “sob” ou “sub” têm hífen antes de b, h ou r. Daí que se escreva suburbano, mas sub-reino e sob-roda.

 

 


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Entretanto/ entre tanto

 

Convém desde já esclarecer que ambas as formas existem, mas que designam coisas diferentes.

 

 Entretanto tanto pode ser:

 

a) um advérbio de tempo, com o significado de "neste ou naquele meio tempo ou intervalo" (Dicionário da Língua Portuguesa, 8.ª edição, Porto Editora).

b) um substantivo masculino sinónimo de intervalo de tempo.

 

Exemplos:

    a) Entretanto ele decidiu ir embora. (advérbio)   

    b) E naquele entretanto ela apareceu. (substantivo)

 

entre tanto é uma expressão formada pela preposição em e o pronome indefinido tanto e usada em situações como:

 

 «Entre tanto que tínhamos para dizer, acabámos por não dizer nada»

 

 

 


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Mais bem ou melhor?

 

Qual a frase correcta?

 

a) Ele está mais bem preparado para o teste.

b) Ele está melhor preparado para o teste.

 

Analisemos cada uma das expressões destacadas. “Mais bem” é o comparativo do advérbio “bem”. “Melhor” é o comparativo de “bom”.

O que está em causa nesta expressão? O estar bem preparado ou o estar bom preparado? Exacto, “estar bem preparado”, logo a frase correcta é a da alínea a).

 

A expressão “mais bem” vem acompanhada de um particípio passado que acaba por funcionar como adjectivo e forma um todo com o advérbio. Daí que tenhamos expressões como bem-parecido e bem-feito que acabaram por se unir com um hífen. Assim, dizemos:

 

 - Ele é mais bem-parecido que o irmão

- Este bife está mais bem temperado que o que comi ontem.

 

"Mais bem" existe e é correcto!
Repare-se neste anúncio: "Melhor equipado só com mordomo incluído."
Haverá um erro de português?

O erro está em escrever (ou dizer) "melhor equipado" - porque, quando estamos a modificar um adjectivo participial (ou seja, um adjectivo que provém do Particípio Passado de um verbo, como equipado, preparado, classificado, vendido, escrito...), não devemos flexionar em grau os advérbios bem e mal.

Talvez custe aceitar essa regra, que aparentemente ninguém cumpre, pois, ao que parece, ninguém sabe que ela existe. Mas isso não é verdade! Porque, como facilmente constatarão, raríssimas são as pessoas que ignoram essa regra quando se seguem Particípios (irregulares, mas ainda assim Particípios) como feito, dito, escrito. Por acaso costumam dizer que uma coisa está "melhor" ou "pior" feita do que outra?!

 

 


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O deputado interviu ou interveio?

 

Qual a forma correcta:

"O deputado interviu na discussão."

ou

"O deputado interveio na discussão."?

Este é um erro que se ouve com frequência. Tudo porque o verbo intervir deriva do verbo vir e, por isso, deve seguir a conjugação deste verbo e não a do verbo ver. Por isso:

Pret. Perfeito

Vir

Intervir

Eu vim

Eu intervim

Tu vieste

Tu intervieste

Ele veio

Ele interveio

Nós viemos

Nós interviemos

Vós viestes

Vós interviestes

Eles vieram

Eles intervieram

Já agora, o particípio passado do verbo intervir é intervindo:

Depois de eu ter intervindo, ele interveio.

Então, em português correcto:

O deputado interviu na discussão.

O deputado interveio na discussão.

 


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Assim, em “passas-te” e “ficas-te”, o acento recai na primeira sílaba (”pá”; “fí”) e em passaste e ficaste, recai na segunda sílaba (”ssás” e “cás”). O mesmo acontece em relação a formas como fala-se/ falasse.

 

Truque:

quando se trata de uma palavra com hífen o acento recai na primeira sílaba (ex: fala-se = fála-se). Se a palavra não tem hífen, o acento recai na segunda sílaba (ex: falasse = falásse).

 

Para não te enganares quando escreves estas formas verbais, aplica a seguinte regra:

Regra

Coloca a frase na forma negativa. Se o pronome pessoal mudar de lugar, significa que está separado do verbo por um hífen. Se não mudar, significa que se trata de uma só palavra.

 


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Um pai natal, dois ?

 

 

 

Qual o plural de pai natal?

Em princípio só deveríamos ter um Pai Natal, mas não é isso que acontece... eles proliferam por aí.

 

São os pais natais, porque natal tem aqui a função de adjectivo, logo concorda com o substantivo (pais).

 

 

 

 


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Plural de palavras compostas

 

 

Formação do plural de palavras compostas – 1

 

1 – Qual o plural de decreto-lei?

 

Quando a palavra é formada por dois nomes com o mesmo estatuto e idêntica contribuição para o significado da palavra, ambos os elementos vão para o plural. Por isso, dizemos:

 

 

o decreto-lei         -             os decretos-leis

 

(= o diploma é simultaneamente decreto, porque foi elaborado pelo Governo e uma lei)

 

 

Caso a palavra seja formada por um nome e outro com valor de determinante específico desse nome, especificando-o, limitando-o ou referindo a sua função só o primeiro elemento vai para o plural.

 

 

Exemplos:

 

Navio-escola -     Navios-escola

 

(navio que serve de escola)

 

 

Homem-rã    -   Homens-rã

 

(homem que age como rã, não se trata de uma verdadeira rã)

 

2 – Qual o plural de pé-direito

 

A este termo usado para indicar a altura do pavimento ao tecto, formado por um nome e um adjectivo, aplica-se a regra do exemplo anterior, ou seja, ambos os elementos vão para o plural. 

 

Assim:

 

 Pé-direito            -      pés-direitos

Amor – perfeito   –    amores-perfeitos

Surdo-mudo    -     surdos-mudos

 


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VERBO PODER (pode, pôde, pude, pudeste...)

 

O verbo poder tem formas que se escrevem com um U e outras que se escrevem com um O.

 

Regra:

 

Quando o E da segunda sílaba é aberto, escreve-se com um u: puder pudesse, pudestes, pudera...

Quando o E da segunda sílaba é fechado ou mudo, escreve-se com um o: poder, pode, podemos.

 

Excepção

 

Eu pude (1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo)

 

Pode

3ª Pessoa do singular do presente do indicativo.

 

Ex.: Agora, ele não pode atender.

 

Pôde

3ª Pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo.

 

Ex.: Ontem, também não pôde.

 

Exercício:

 

1. Completa o texto com formas do verbo poder.

Texto

Se eu _____________(1ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do conjuntivo) tinha ido ontem ao teatro. Quem __________________(3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) foi o meu irmão, porque ele ____________________ (3ª pessoa do singular do presente do indicativo) sempre fazer o que lhe apetece. Eu não _________________ (1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) nem nunca __________________ (1ª pessoa do singular do futuro do indicativo). E tu, _______________________ (2ºpessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo)?

 


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Forma verbais: TEM/TÊM, VEM/VÊM, VÊ/VÊEM, DÊEM, CRÊEM, LÊEM

 

Presente do indicativo 3ª pessoa do singular

Presente do indicativo 3ª pessoa do plural

ele/ela tem

eles/elas têm

ele/ela vem

eles/elas vêm

ele/ela vê

eles/elas vêem

ele/ela lê

eles/elas lêem

ele/ela crê

eles/elas crêem

Presente do conjuntivo, 3ª pessoa do singular

Presente do conjuntivo , 3ªpessoa do plural

ele/ela dê

eles/elas dêem

 

Crer = acreditar.

Querer = ter vontade de fazer uma coisa; desejar.

 

e dêem são também formas de imperativo.

 

Exercícios:

 

1. Preenche os espaços com o presente do indicativo dos verbos ter, vir, ler e crer e o imperativo do verbo dar.

Texto

Hoje há futebol. Só se ___________ (ver) pessoas com bandeirinhas. Os vendedores ______________ (vir) de todos os lados: _____________ (ter) cachecóis e emblemas para vender. Todos ______________ (crer) que o seu clube será o vencedor. Os vendedores não _______________ (ter) mãos a medir.

- ______________ -me (dar) uma fartura! _____________- me (dar) um balão! E no dia seguinte todos ___________________ (ler) o jornal.

 


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Porque ou por que?

 

1º Explicação

 

Porque é uma conjunção causal com o sentido de por qual motivo.

 

Por que trata-se da preposição por mais o determinante relativo que.

 

Quando é possível substituir a expressão por pelo qual, pela qual, pelos quais ou pelas quais, então deve-se usar Por que

 

Exemplos:

Não sei porque te foste embora (=por qual motivo)

Não sei a razão por que te foste embora (=pela qual)

 

Quanto à frase interrogativa, regra geral, usa-se a palavra única, à excepção de quando esta é acompanhada de substantivo.

Exemplos:

Porque vieste? (=Por qual motivo vieste?)

Por que motivo vieste?

 

2º Explicação

 

Escreves porque quando:

 

1.é uma conjunção causal - "0 sol e a lua guerreavam-se porque cada um desejava ter a precedência sobre o outro."

2.é um advérbio interrogativo - Porque é que as nuvens são brancas?

3.é um substantivo -0 porque apresentado não é razoável (sentido de razão, motivo)

 

Escreves por que quando:

 

1.é um pronome relativo -0 mito “0 conflito do sol e da lua " explica o motivo por que a lua não tem luz própria.

 

(que refere-se ao motivo; sempre que tiveres dúvidas, poderás fazer um teste infalível: substitui a expressão por que por pelo qual, pelos quais, pela qual, pelas quaisSe a substituição for possível, deves escrever separado, ou seja, preposição (por) + pronome relativo (que).)

 

2.é um pronome interrogativo -Por que motivo o Céu não está ao alcance do homem e a Terra está tão perto?

 

3.se trata de uma locução conjuncional final a seguir a verbos como: lutar, esforçar-se, fazer, ou seja, quando introduz uma ideia de finalidade -Vou lutar por que a minha equipa saia vencedora.

 

Outras indicações

 

Usamos por que:

nas frases interrogativas (que não seja no final de frase) e quando for substituível por pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais:

ex.:

Por que parou?”; E eles, por que pararam? - Nota: que se subentende a palavra motivo: E eles, por que (motivo) pararam.

As dificuldades por que passei foram muitas (As dificuldades pelas quais passei foram muitas).

 

Usamos por quê:

quando essa expressão estiver próxima de final de frase: “Parou por quê ?”; Ninguém sabe por quê.

 

Porque é uma conjunção que indica causa, equivalendo a pois, já que, uma vez que, como:

ex. Parei  porque vi violência” Sei que tudo vai dar certo porque não falta empenho.

 

*Algumas vezes, porque indica finalidade, equivalendo a para que, a fim de:

ex.: Não julgues porque não te julguem.

 

*Escreve-se porquê, quando essa palavra estiver substantivada (antecedida de artigo ou pronome):

O porquê da questão não foi esclarecido;

Um porquê pode ser grafado de quatro maneiras.

 

 

Exercícios

1. Completa as frases seguintes com os termos que considerares correctos:

 

1,1, Não me interessa a razão __________ desististe da ideia.

1.2. ___________ não vens ao cinema? O filme é espectacular!

1,3. O chá é muito apreciado ___________ tem muitas virtualidades estimulantes, relaxantes e purificantes.

1,4. Já te disse para não me arreliares, _____________ motivo o fazes?

 

2. Lê as frases seguintes:

 

a) "(...) mirava-o durante horas perdidas, cismando nas razões por que o feioso não mantinha relações com ninguém. "

b) "Ouvia falar mal dele (...) e - ninguém sabe por que - duvidava da veracidade das histórias.

c) A Andorinha atirou gravetos ao Gato Porque queria meter conversa com ele.  

d) Os motivos por que a Vaca não gostava do Gato têm a ver com uma troca de falas que em tempos se deu entre os dois.

 

2.1. Explica a aplicação de por que e porque, nestas frases.

 


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Uma sande ou uma sandes?

 

 

O problema que se coloca relativamente ao uso destas formas é que tal uso ainda não foi regulamentado, visto que se trata de um aportuguesamento, no registo popular, da palavra inglesa «sandwich».

Alguns dicionários apenas registam a forma “sande” como sendo uma variante popular de “sanduíche”, nesse caso, “sandes” deveria ser considerada como o plural de “sande”.

 

No entanto é mais usual a designação de sandes, embora esta não surja dicionarizada

 

. Enquanto os especialistas da língua não resolvem a questão, que tal dizermos: “queria um pão com fiambre”?

 

 

 


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SENTA-SE/SENTASSE, DEVE-SE/DEVESSE

 

 

 

Senta-se, deve-se --- trata-se de duas palavras: a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo, seguida de um pronome pessoal. Sílaba tónica: sen- e de-, respectivamente.

Sentasse, devesse --- trata-se de uma palavra: a 1ª ou  3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do conjuntivo.

Sílaba tónica: -ta- e -ve-, respectivamente.

 

Para não te enganares quando escreves estas formas verbais, aplica a seguinte regra:

Regra

Coloca a frase na forma negativa. Se o pronome pessoal mudar de lugar, significa que está separado do verbo por um hífen. Se não mudar, significa que se trata de uma só palavra.

 

Exs.:

O José senta-se sempre no mesmo lugar.

O José não se senta sempre no mesmo lugar.

Se sentasse a criança, eu podia ver o filme.

Se não sentasse a criança, eu podia ver o filme.

 

Clica aqui e faz o exercício proposto

 

 

 


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SE NÃO / SENÃO

1. Escreve-se SE NÃO (se: conjunção; não: advérbio):

Se não fosse atrevida, a Capuchinho vermelho não tinha arranjado problemas.

2. Escreve-se SENÃO

.com o sentido de “quando não": Despacha-te, senão tens falta.

.com o sentido de "apenas":

Não tenho senão cinquenta cêntimos.

.com o sentido de excepto:

Ninguém foi à aula senão o Zé.

Exercícios:

 

1. _________ te apressares, perdes o comboio.

2. _________ estudares chumbas.

3. Não leio ________ as letras gordas.

4. Não dizes __________ asneiras.

5. _________ mexeres o refogado, ele queima-se.

6. __________ gostas da praia, podemos fazer férias no campo.

7. __________ houver financiamento para o ensino, o país não se desenvolve.

8. Este é o problema. __________ vejamos...

9. _________ tens um dicionário de português, compra-o.

10. Não sei nadar ______ de costas

 


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Ter a ver ou ter a haver?

Qual é a forma correcta?
a) Isso não tem nada a ver com este assunto.
b) Isso não tem nada a haver com este assunto.


A frase correcta é a da alínea a).

 

Com efeito, as expressões “ter a ver” e “ter a haver” podem ser confundidas. Vejamos o que cada uma significa:
 
· Ter a ver = ter relação (com), dizer respeito (a).
· Ter a haver = ter a receber.
 
Clarifiquemos melhor com alguns exemplos:
 
1. O João não tem nada a ver com este problema. (=o problema não diz respeito ao João, não está relacionado com ele)
2. O João não tem nada a haver. (= o João não tem nada para receber.)
 
A confusão entre estas duas expressões poderia ser evitada se em vez de “ter a ver” usássemos a expressão mais correcta “ter que ver”. Realmente “ter a ver” é um galicismo, isto é, uma expressão que importámos do francês e que cada vez usamos mais em vez da portuguesater que ver”.


Assim, em português correcto, devemos dizer:
Isso não tem nada que ver com este assunto.
 

 


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Ter morto ou ter matado?

 

(verbos com duplo particípio)

 A utilização dos particípios passados de verbos que possuem duas formas.

O verbo matar possui dois particípios passados, um regular (matado) e um irregular (morto). Resta saber quando se deve usar um ou outro. Pois bem, a forma regular usa-se com os verbos ter e haver (ter matado, haver matado) e a forma irregular, aplica-se com os verbos ser e estar (ser morto; estar morto). Esta regra aplica-se aos outros verbos com dois particípios. Vejam a lista:

 

infinitivo    

particípio regular 

 particípio irregular  

absorver

absorvido    

absorto

aceitar   

 aceitado  

 aceito, aceite

acender    

 acendido  

aceso

afligir 

afligido 

 aflito 

assentar 

 assentado 

assente 

benzer

benzido 

 bento   

 cativar   

cativado 

cativo

cegar

cegado  

cego

 completar  

completado

completo

convencer 

convencido

convicto

corrigir

corrigido

correcto

cultivar

cultivado

culto

 descalçar 

descalçado 

descalço  

dirigir 

dirigido

 directo 

dissolver  

dissolvido  

dissoluto

distinguir    

 distinguido

distinto

eleger 

  elegido  

 eleito 

emergir  

emergido   

 emerso  

entregar 

entregado 

 entregue 

envolver  

 envolvido

 envolto 

 enxugar

 enxugado 

enxuto

escurecer 

 escurecido

escuro

expressar 

expressado

expresso

exprimir   

exprimido 

expresso

expulsar  

 expulsado    

 expulso

extinguir 

extinguido

extinto    

frigir  

 frigido   

frito   

 ganhar  

ganhado   

ganho  

 gastar

gastado 

gasto 

imergir 

 imergido             

imerso

 imprimir   

  imprimido   

 impresso 

incorrer

  incorrido   

  incurso

inquietar 

 inquietado   

 inquieto 

inserir  

inserido 

  inserto 

isentar  

 isentado   

  isento 

 juntar  

 juntado 

  junto

  libertar  

libertado 

 liberto 

limpar   

limpado 

limpo

manifestar

 manifestado  

manifesto

matar      

matado  

morto 

morrer  

morrido

morto  

nascer 

 nascido  

 nato, nado

ocultar     

ocultado 

oculto

omitir   

omitido

omisso  

pagar   

 pagado              

 pago

prender  

 prendido

preso

romper 

rompido 

  roto  

salvar 

 salvado

salvo 

secar 

 secado  

  seco 

soltar  

soltado  

 solto

submergir 

submergido

submerso

suspender 

suspendido

suspenso

 tingir         

tingido 

 tinto    

vagar  

 vagado

  vago

                          

Os verbos apresentar, empregar e encarregar só aceitam as formas apresentado, empregado e encarregado, no entanto há gramáticas e dicionários que já aceitam as formas encarregue e empregue, dada a proliferação do seu uso.

 

 


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"A gente"

 

 

 

" A gente vai ao cinema. Queres vir?"

"A gente vamos ao cinema. Queres vir?"

 

 

 

Existe alguma confusão relativamente ao uso de "a gente". Antes dizia-se que "agente é um polícia", levando a pensar que a utilização desta expressão era errada. Ora, o que é errado não é utilizar "a gente", mas sim empregá-la com o verbo na 1.ª pessoa do plural (= nós). Pode-se utilizar, mas o verbo tem de ser conjugado na 3.ª pessoa do singular (=ela).

Assim:

A gente vai ao cinema.

A gente vamos ao cinema.

 


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Diga-me o número de pessoas que vai estar/ vão estar...

 

 

 

 

Em frases em que o sujeito é a expressão «o número de...» o verbo fica no singular, pois o sujeito é singular - número.

 

A resposta correcta é: «Diga-me o número de pessoas que vai estar presente»

 

 

 

 


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O que é um bilião?

 

 

 

Em português um bilião um milhão de milhões. 1.000.000.000.000 = um bilião Para os americanos, um bilião representa um milhar de milhões: 1.000.000.000.

O valor em jogo esta semana no Euromilhões corresponde a mais de 3 biliões de escudos.

 

 

 

 

 

 


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Desprezível ou desprezável?

 

 

 

«Sempre julguei que "desprezável" seria aquilo de que podíamos abdicar. ex.: "Há algumas impurezas, mas «desprezáveis» para o resultado final."; ou o contrário: "Não são «desprezáveis» as impurezas que, ao longo da experiência, foram descobertas." Quanto à palavra "desprezível", sempre a conectei à vileza, torpeza, maldade. ex.: "É um ser desprezível"; "Como pessoa, acho-o simplesmente desprezível". No entanto, tenho lido em alguns (poucos) textos a palavra "desprezível" utilizada em situações em que eu poria a palavra "desprezável". Dou como exemplo um texto que acabei de ler na Internet: "quando um livro é sugerido por ti no DN claro que as probabilidades de ele vender mais exemplares não são desprezíveis". Não deveria ser "não são desprezáveis"?»

 

Desprezível e desprezável são dois adjectivos sinónimos, no entanto há pequenas variações de sentido entre eles.

 

Desprezável significa algo que se pode desprezar.

 

Desprezível significa algo que é abjecto, vil, miserável, que merece o desprezo.

 

Assim, um objecto, por exemplo, pode ser desprezável, mas não desprezível.

 

Os exemplos apresentados estão ambos correctos: «Há algumas impurezas, mas são desprezáveis para o resultado final.» «Não são desprezáveis as impurezas que, ao longo da experiência, foram descobertas.» Tendo em conta os significados dos dois termos, deveria optar-se  pelo adjectivo desprezáveis na frase: "quando um livro é sugerido por ti no DN claro que as probabilidades de ele vender mais exemplares não são desprezáveis"

 

 

 

 


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Ecrã, ecran ou écran?

 

 

Devemos escrever:

 

a)      Eles não saíram da frente do ecrã;

b)      Eles não saíram da frente do ecran   

ou

c)      Eles não saíram da frente do écran?

 

A forma correcta é a da alínea a). Esta é a forma portuguesa da palavra francesa écran.

 


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Feminino de embaixador

 

 

 

 

- Que nome se dá a uma mulher que dirige uma embaixada?

 

Embaixadora é a palavra que se institucionalizou para designar a mulher que ocupa o mais alto cargo diplomático de representação de um Estado noutro, chefiando uma embaixada.  

 

Provavelmente estarão a questionar-se:

 

- Mas o feminino de embaixador não é embaixatriz?

 

Sim, embaixatriz é o feminino de embaixador, mas embaixadora também é aceite como tal. A razão deste “duplo” feminino prende-se com questões relacionadas com a tradição.

Antigamente só os homens é que ocupavam o cargo de chefia de uma embaixada. Frequentemente, os embaixadores deslocavam-se com as suas famílias, em especial com as esposas a certos eventos. Passou-se então a chamar à esposa do embaixador, embaixatriz.

 

 Ora, os tempos mudaram e o cargo já pode também ser ocupado por mulheres. Para se diferenciarem das tradicionais embaixatrizes, esposas dos embaixadores, surgiu o termo embaixadoras.

 

Assim, hoje a palavra embaixador tem um duplo feminino e, assim chamamos:

 
 

A primeira mulher portuguesa que exerceu este cargo (na UNESCO de 1975 a 1979), Maria de Lourdes Pintassilgo, foi oficialmente designada como embaixadora. Mais recentemente, Ana Gomes exerceu o cargo de Embaixadora de Portugal em Timor e actualmente temos duas embaixadoras, uma na Nigéria e outra na Eslovénia.

 

Já agora, ainda no âmbito dos cargos diplomáticos, o feminino de cônsul é consulesa.

 

 

 


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Emergir ou imergir?

 

 

O que significa "o mergulhador imergiu"?

a) O mergulhador veio à superfície.

ou

b) O mergulhador mergulhou.

 

Temos aqui mais um caso de homófonas (palavras com significados diferentes, que se lêem da mesma maneira mas se escrevem de modo diferente) que gera alguma confusão. No entanto, a distinção é fácil de efectuar se souber que o prefixo "-i" indica um movimento para dentro (interior) e o prefixo "-e", indica um movimento para fora (exterior).

 

A mesma distinção serve para imigrante (aquele que entra num país diferente do seu) e emigrante (o que sai do seu país).

 

Fixe-se este pequeno poema de I. Aguilar:

 

Emigra o bom português

Que vai viver em Paris;

Porém imigra o francês

Que vem prò nosso País.

 

Ninguém terá mais engulhos

Com esta regra ratona:

Imerge quem dá mergulhos

Emerge quem vem à tona.

 

Nunca mais ninguém duvida

Ante esta regra engraçada:

Com um E… temos saída,

Com um I… temos entrada.

 

Assim:

O mergulhador imergiu  = o mergulhador mergulhou

O mergulhador emergiu = o mergulhador veio à superfície.

 

 


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Entretanto/ entre tanto

 

 

 

 

 

Convém desde já esclarecer que ambas as formas existem, mas que designam coisas diferentes.

 

 Entretanto tanto pode ser:

 

a) um advérbio de tempo, com o significado de "neste ou naquele meio tempo ou intervalo" (Dicionário da Língua Portuguesa, 8.ª edição, Porto Editora), como

b) um substantivo masculino sinónimo de intervalo de tempo.

 

Exemplos:

 

a) Entretanto ele decidiu ir embora.

b) E naquele entretanto ela apareceu.

 

entre tanto é uma expressão formada pela preposição em e o pronome indefinido tanto e usada em situações como:

 

«Entre tanto que tínhamos para dizer, acabámos por não dizer nada»

 

 

 

 


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Entretinha ou entretia?

 

 

 

 

Qual das expressões está correcta?

 

a) Eu entretinha as pessoas.

 

b) Eu entretia as pessoas.

 

Ao contrário do que se costuma ouvir e ler, a forma correcta do verbo entreter é “entretinha”.

 

Este verbo é formado a partir do verbo “ter” e, por isso, segue a sua conjugação. Assim:

 

Eu tinha - Eu entretinha    e não entretia

Tu tinhas – Tu entretinhas e não entretias

Ele tinha – Ele entretinha e não entretia

 

 

 

 


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Estória ou história

 

 

 

A palavra estória surgiu para distinguir a ficção de factos reais. Assim, vimos aparecer a estória da Carochinha. Estória era uma forma antiga de escrever a palavra história e agora parece ter sido recuperada. A razão do seu reaparecimento na nossa linguagem escrita ainda não reúne o consenso dos estudiosos destas questões da língua. Uns pensam tratar-se de uma influência do português do Brasil, outros uma tentativa de copiar a distinção inglesa story/history. Independentemente do modo como apareceu, importa dizer que não aparece na maioria dos dicionários de língua portuguesa.

 

 


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Se dúvidas houvesse ou houvessem?

 

 

 

Qual a forma correcta de escrever a expressão:

«Se dúvidas houvesse...»

ou

«Se dúvidas houvessem...»?

 

Neste caso, o verbo haver tem o significado de existir, ou seja, é um verbo impessoal e, como tal, deve ser conjugado na 3.ª pessoa do singular. Assim, a forma correcta é:

 

Se dúvidas houvesse

 

 

 


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"Ir ao encontro de" e "ir de encontro a"

 

 

 

 

Qual a expressão que devo usar para indicar que o João concorda comigo?

 

a)      O João foi de encontro ao que eu disse.

b)      O João foi ao encontro do que eu disse.

 

A expressão correcta, neste caso, é “foi ao encontro do que eu disse”. Repare na distinção entre as duas expressões:

 
 

Exemplos:

- O João foi ao encontro da mãe. (=o João foi em direcção à mãe)

- Isso vai ao encontro do que sempre pensei. (= isso está de acordo com o que pensava)

 
 

Exemplos:

- O João tropeçou e foi de encontro à porta. (=foi contra a porta)

- O parecer foi de encontro àquilo que pretendíamos. (=foi contra o que pretendíamos)

 

Assim, em português correcto,

quando alguém concorda connosco, usamos “ir ao encontro de”,

quando não está de acordo, utilizamos “ir de encontro a”.

 

 


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Obrigado/Obrigada

 

 

 

 

«Mas o empregado na pastelaria disse obrigada a uma senhora!»

Esta foi a admiração de um aluno estrangeiro quando lhe ensinei que por ser rapaz deveria dizer sempre obrigado. Realmente, muitas pessoas acham que a palavra "obrigado" deve variar conforme a pessoa a quem nos dirigimos, mas é uma ideia errada.

 

Obrigado deve ser usado sempre por um elemento do sexo masculino, independentemente do sexo da pessoa a quem se dirigir. Consequentemente, a palavra obrigada, é utilizada pelo sexo feminino.

 

Assim:

 

- Obrigado! - disse o funcionário à senhora.

- Obrigada. - disse a funcionária ao senhor.
 

 

 


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Acentuação das palavras terminadas em -mente

 

 

Um erro que se verifica com frequência é a acentuação dos advérbios de modo terminados em -mente.

 Isto acontece quando os advérbios são formados a partir de adjectivos acentuados, como por exemplo, rápido.

Ora, se rápido é uma palavra esdrúxula (=acentuada na antepenúltima sílaba), caindo a sílaba tónica em , já rapidamente tem a sílaba tónica em men, não necessitando de acento gráfico.

Assim:

fácil - facilmente

ágil - agilmente

agradável - agradavelmente ....

 

 

 

 


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Pára-quedas ou paraquedas?

 

 

 

 

 

 

Ao contrário do que se vê, mesmo em nomes de clubes, as formas dicionarizadas são:

 

 

 


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Perca ou perda

 

 

 

Perca (que se pronuncia sempre pérca) pode ser uma forma verbal:

a) Receio que ele perca o autocarro. (3.ª pessoa do singular do presente do conjuntivo)

b) Eu espero que não perca o juízo. (1.ª pessoa do singular do presente do conjuntivo)

c) Não perca o próximo capítulo! (3.ª pessoa do singular do modo imperativo)

 

Pode também ser um nome de um peixe de água doce (a perca do rio) e, na linguagem popular, um substantivo feminino sinónimo de perda.

 

Acontece que enquanto a palavra perda chegou à língua portuguesa por via latina, a palavra perca originou-se na língua portuguesa, por via popular por associação à forma verbal.

Por ter sido o original, talvez o termo perda é mais correcto que perca, mas não podemos considerar como incorrecto o segundo.

Assim, em linguagem popular, é aceitável dizer "foi uma grande perca" em vez de "foi uma grande perda", contudo ao nível da escrita e da linguagem cuidada é preferível optar sempre pela segunda hipótese.

 

 

 

 

 

 


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Plural de km

 

«Deve escrever-se

10 km

ou

10 kms

 

km é o símbolo de quilómetro. Os símbolos são convenções para, por exemplo, certas unidades de medida, funcionando como abreviaturas especiais e obedecendo, geralmente a regras internacionais.

Apresentam-se em minúsculas, a seguir a números e no singular.

Assim:

1 km e não 1 Km

2 km e não 2 kms

 

Quando o símbolo se escreve por extenso, aplicam-se as regras de formação do plural. Assim:

2 km  = 2 quilómetros

 

Estas regras aplicam-se a todos os símbolos que representam medidas.

Exemplos:

3 m = 3 metros

5 kg = 5 quilogramas

30 g = 30 gramas

5 v = 5 volts

 

 

 

 


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Plural de nomes terminados em -ão

 

 

 

Os nomes terminados em -ão formam o plural de três maneiras diferentes: em "ões", "ãos" ou "ães". Esta variação está relacionada com a origem da palavra. Por exemplo, o plural de pão é pães porque a palavra latina era panes.

Há algumas regras que podem ajudar a perceber como é o plural das palavras.

 

1. A maioria das palavras terminadas em -ão, forma o plural em -ões. Neste grupo incluem-se todos os aumentativos.

 

balão - balões

botão - botões

estação - estações

leão - leões

casarão - casarões

espertalhão - espertalhões

 

2. Todas as palavras graves (paroxítonas) formam o plural em -ãos, mas também algumas palavras agudas (oxítonas) e monossilábicas.

órfão - órfãos

sótão - sótãos

irmão - irmãos

pagão - pagãos

chão - chãos

mão - mãos

grão - grãos

 

3. Um pequeno número muda a terminação de -ão para -ães

alemão - alemães

cão - cães

capitão - capitães

charlatão - charlatães

pão - pães

sacristão - sacristães

tabelião - tabeliães

 

Algumas palavras aceitam várias formas de plural. É o caso de:

- aldeão - aldeões/ aldeãos/ aldeães

- anão - anões/ anãos

- ancião - anciãos/ anciães/ anciões

- castelão - castelãos/ castelões

- corrimão - corrimãos/ corrimões

- ermitão - ermitãos/ ermitães/ ermitões

- hortelão - hortelãos/ hortelões

- refrão - refrães/ refrãos

- rufião - rufiões/ rufiães

- sultão - sultões/ sultãos/ sultães

- Verão - verões/ verãos

- vilão - vilãos/ vilões

 


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Poder ou puder?

 

 

 

 

a) «Se eu poder passo em tua casa amanhã.»

b) «Não vou poder ir a tua casa amanhã.»

Qual das duas frases está correcta?

A frase b). Vejamos a distinção:

                        - poder - é o infinitivo do verbo poder (lê-se pudêr). Utiliza-se em construções perifrásticas, antecedido de verbos como ir e haver.

- puder - é o futuro do conjuntivo do verbo poder, na 1ª ou 3ª pessoa do singular (lê-se pudér).

 

Usa-se para indicar incerteza, e eventualidade no futuro, por isso, frequentemente vem antecedido de "se", tal como deveria acontecer na frase a): Se eu puder passo em tua casa amanhã

 

Exercícios:

 

Complete com poder ou puder a) Eu acho que amanhã não vou ________________ ir contigo. b) Não sei se ela vai ___________________ ir contigo. c) Se ele não _____________________ ajudar, ele diz-te. d) Quando eu _____________, eu vou ter contigo.

 

 

 

 


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"Pois"... agora onde é que coloco a vírgula?

 

 

 

O uso da pontuação em relação às conjunções, neste caso "pois". Vejamos as frases:

1. Eu sei fazer isto, pois tenho aptidão.....

2. Eu corro muito pois, gosto de fazer exercícios

3. Eu tenho amigos. Pois, dou-me com toda gente.

 

 

 

Comecemos por uma breve explicação da função de "pois".

Trata-se uma conjunção coordenativa que pode introduzir uma explicação ou uma conclusão. Em qualquer uma das frases anteriores, as orações são coordenadas explicativas.

Ora, para separarmos as orações temos de o fazer usando um sinal de pontuação. Qual? A vírgula. E onde a colocamos? Antes da conjunção.

 

Assim:

1. Eu sei fazer isto, pois tenho aptidão.

2. Eu corro muito, pois gosto de fazer exercícios.

3. Eu tenho amigos, pois dou-me com toda gente.

 

 

 

*O mesmo se passa com as conjunções "mas", "portanto", "ou", etc. Ex. Eu gostava de viajar, mas não tenho dinheiro.

 

 

 

 


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Com, A ou De garfo e faca....

 

 

 

 

 

Qual a forma correcta?

 a) comer com garfo e faca

b) comer a garfo e faca

c) comer de garfo e faca

 

A resposta a esta questão pode encontrar-se recorrendo ao senso comum. Assim, eliminam-se, logo à partida, a hipótese b), pelo facto de a preposição a não nos fornecer a ideia de comer munido de... Assim restavam as hipóteses a) e c) que parecem ser ambas aceitáveis, até por ter encontrado quer uma, quer outra forma.

Comer com garfo e faca, transmite a ideia de utilização desses instrumentos para comer, tal como comer de faca e garfo. Portanto, e por não ter encontrado nada que contrariasse esta ideia, as hipóteses a) e c) podem considerar-se correctas.

 

 

 

 


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Prole ou prol?

 

 

 

"Ele combateu em prole da Nação!"

 

Nesta frase há uma confusão entre

 o nome "prole" e a locução preposicional "em prol de".

Vejam-se os exemplos:

 

- Hoje ele poderia orgulhar-se da sua prole.

- O espectáculo foi organizado em prol da luta contra o cancro.

 

Assim:

 

Ele combateu em prol da Nação!.

 

 

 

 


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Colocação de pronomes - 1

 

 

 

 

1 – Qual a forma correcta?

 

a)      Devemo-nos sentar.

b)      Devemos sentar-nos.

c)      Devemos sentarmo-nos.

 

Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, quando se tratem de locuções verbais formadas por um verbo auxiliar e um verbo principal no infinitivo ou gerúndio, podemos ligar o pronome átono ao verbo auxiliar ou ao verbo principal. Assim, as formas a) e b) estão correctas.

 

Já em relação à alínea c) esta não se pode considerar válida porque o infinitivo está flexionado (conjugado) e não devia estar porque o sujeito do verbo auxiliar (dever) é o mesmo e já está subentendido na terminação deste (devemos = nós) pelo que não há necessidade de o voltarmos a repetir.

Assim, podemos dizer:

 

Devemo-nos sentar             e           Devemos sentar-nos

Devemo-nos assoar             e           Devemos assoar-nos

 

Mas não:

 

Devemos sentarmo-nos

Devemos assoarmo-nos

 

Da mesma forma é válido dizer:

 

Vem-me buscar ou vem buscar-me

Colocação de pronomes - 2

 

Em que situações devemos colocar o pronome antes do verbo?

 

Vejamos alguns exemplos de colocação errada do pronome:

 

a) Ele não disse-me nada.

b) Quem disse-te isso?

c) Que tudo corra-te bem!

d) Quando ontem deitei-me, ouvi barulho na rua.

e) Ambos sentiam-se felizes.

Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, entre outras situações, devemos colocar o pronome antes do verbo quando:

 

a) nas orações há uma palavra negativa (não, nunca, jamais, ninguém, nada, etc.) e entre ela e o verbo não há vírgula.

 

Assim, devemos dizer e escrever:

 

- Ele não me disse nada.

- Nunca me tinha apercebido disso.

- Ninguém me avisou.

 

b) nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos.

 

- Quem te disse isso?

 

c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo.

 

- Que tudo te corra bem!

- Bons olhos o vejam!

 

d) Nas orações subordinadas desenvolvidas.

 

- Quando ontem me deitei, ouvi barulho na rua.

 

e) quando o sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém o numeral ambos ou algum dos pronomes indefinidos (todo, tudo, alguém, outro, qualquer, etc.)

 

- Ambos se sentiam felizes.

 

 

 

 

 


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Ter de ou Ter que?

 

 

 

Qual será a forma correcta?

 

a)      Tenho que me ir embora.

b)      Tenho de me ir embora.

 

Escolheu “tenho que”? Pois é, realmente ouve-se tantas vezes este erro que até o tomamos como certo. Mas a frase correcta, neste caso, é a da alínea b). Vejamos porquê:

 
 

Vejamos mais alguns exemplos:

 

Tenho que estudar. = tenho muitas coisas para estudar

 

Tenho de comer. = tenho necessidade, ou devo comer.

 

 

 


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Havia??? Haviam???

 

A utilização do verbo haver causa alguma confusão. Mas se nos lembrarmos desta regra teremos menos dificuldades:

Quando o verbo haver é sinónimo de existir só se utiliza a 3.ª pessoa do singular.

 

Exemplos:

Há três horas que não sei nada dele.

Havia muitos quadros na exposição.

 

mas quando o verbo haver é acompanhado de um sujeito, e é usado como auxiliar em construções verbais, já podemos usar todas as formas:

ex. Eles haviam de ir connosco àquela aldeia.

 

 


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Vestoria ou vistoria?

 

- O juiz ordenou uma vestoria ao local.

 

A forma assinalada está errada. A palavra correcta é vistoria, que significa “inspecção”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Vomitar ou gomitar?

 

Durante algum tempo, quando era criança, dizia "eu gomito", pois era o termo que usava a minha avó. Mais tarde, ensinaram-se que se devia dizer "eu vomito".

 

Com efeito, vomitar é o verbo consagrado pelo português padrão, mas "gomitar" surge-nos também no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, 8.ª edição, como sendo a forma popular de vomitar.

 

Por isso, embora se aceite "gomitar" enquanto regionalismo, deve-se usar a forma "vomitar".

 

 

 

 


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Vendem-se casas



A voz passiva sintética (ou pronominal) é uma estrutura que vai pouco a pouco sendo abandonada por nossa língua. Embora autores mais modernos já a considerem agonizante, ainda é obrigatória na língua escrita culta, que se emprega nos relatórios, nas petições, nos contratos, nos trabalhos académicos, etc. Ao lidar com ela, o seu maior problema é reconhecer o sujeito da frase mas A concordância nos casos de passiva sintética é um dos pontos em que mais se afasta a língua formal da informal. Como vimos, em estruturas do tipo

Aceitam-se cheques

Compram-se garrafas
o sujeito (paciente da acção) vem normalmente posposto ao verbo (cheques e garrafas). Ora, a passiva sintética não é sentida como voz passiva pela maioria dos falantes, que vêem, em cheques e garrafas, um simples complemento directo:


* Aceita-se cheques

* Compra-se garrafas

Não vamos discutir, aqui, a real existência da passiva sintética. De qualquer forma, ela é ainda encarada como característica do uso culto formal. É necessário, portanto, (1) reconhecê-la e (2) fazer a competente concordância.

Reconhecê-la não é, como vimos, tão difícil: verbos TRANSITIVOS DIRECTOS seguidos de SE (não reflexivo) constituem casos inequívocos dessa estrutura. Se ainda assim persistirem dúvidas, lembre que a frase na passiva sintética tem forma equivalente na passiva analítica:

Aceitam-se cheques - Cheques são aceitos

Compram-se garrafas - Garrafas são compradas

Se o verbo for transitivo indirecto, é evidente que a passiva - tanto a sintética quanto a analítica - não podem ocorrer. A construção com VERBO TRANSITIVO INDIRECTO + SE é uma das formas do SUJEITO INDETERMINADO no Português, ficando o verbo sempre na 3ª pessoa do singular:

Precisa-se de serventes.

Falava-se dos últimos acontecimentos.

De serventes e dos últimos acontecimentos têm a função de complementos indirectos. Muitas pessoas, por temerem incorrer em erro de concordância com a passiva, terminam por flexionar também essas estruturas com verbo transitivo indirecto:

INACEITÁVEL * Precisam-se de serventes

INACEITÁVEL * Falavam-se dos últimos acontecimentos

A maneira mais indicada para assegurar a concordância correcta é, aqui, DISTINGUIR A REGÊNCIA DO VERBO. Se for TRANSITIVO INDIRECTO, certamente não se tratará de caso de voz passiva.

Exercício 

Todos os verbos das frases abaixo estão na 3ª pessoa do singular. Passa-os para a 3ª do plural, quando for o caso.

01. Ainda não conhece ........ os verdadeiros responsáveis.
02. Não mais se obedece ........ aos pais como antigamente.
03. É necessário que se aplique ........ as provas até segunda-feira.
04. Há muito não se assistia ........ a cenas tão revoltantes.
05. Lá não se admite ........ sandálias ou bermudas.
06. Na entrevista, gostaria que se respondesse ........ a todas as perguntas.
07. Quando se avaliar ........ os resultados, verás que eu tinha razão.
08. Antes de assinar o acordo, medite ........-se em suas consequências.
09. Você não sabe como se preenche ........ estes cheques?
10. Nas ilhas do Pacífico é onde melhor se trata ........ os velhos.



5.1 - PASSIVA SINTÉTICA EM LOCUÇÕES VERBAIS


Sendo transitivo directo o verbo principal de uma locução, ocorrerá normalmente a passiva sintética, flexionando-se (como é característico dessas estruturas) o VERBO AUXILIAR:

Podem-se comprar essas terras?

(na analítica: Essas terras podem ser compradas?)

Devem-se respeitar as condições do tratado.

(na analítica: As condições do tratado devem ser respeitadas).

Nessas construções com auxiliar, mais facilmente ainda podemos deixar de fazer a concordância com o sujeito posposto:

INACEITÁVEL * Pode-se comprar estas terras?

INACEITÁVEL * Deve-se respeitar as condições do tratado.

MUITA ATENÇÃO: Como vimos, há vários auxiliares que impedem a transformação passiva: os que indicam vontade ou intenção - QUERER, DESEJAR, ODIAR, etc. - e os que indicam tentativa ou esforço - BUSCAR, PRETENDER, OUSAR, etc.. Na frase

Pretende-se importar os componentes
o auxiliar comprova o facto de não ser os componentes o sujeito da frase.


Na verdade, temos um SUJEITO ORACIONAL:

Pretende-se importar os componentes.

SUJEITO (oração subjectiva)

Busca-se eliminar as diferenças.

SUJEITO (oração subjectiva)

Desta forma, é completamente INACEITÁVEL uma concordância do tipo:

INACEITÁVEL * TENTAM-SE desvendar os mistérios da Natureza, que equivaleria, na voz analítica, à forma igualmente inaceitável

INACEITÁVEL * Os mistérios da Natureza tentam ser desvendados.

 

 


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anexo ou em anexo?



Há um anexo adjectivo e um anexo substantivo.

Em "a lista vai anexa", "o relatório vai anexo", "as notas fiscais vão anexas", anexo é um adjectivo e, como tal, concorda em género e número com o substantivo a que se refere.

 

Em "a lista vai anexa", o adjectivo tem a função de predicativo e responde à pergunta como: "A lista vai como?" - "Vai anexa".

Na segunda estrutura possível - "a lista vai em anexo", "os relatórios seguem em anexo" -, anexo é substantivo, regido pela preposição em; a expressão em anexo funciona como locativo, respondendo à pergunta onde: "A lista vai onde?" - "A lista vai em anexo". É evidente que, não sendo adjectivo, não ocorre aqui a concordância: "Vão em anexo as fotos".

 

+ uma opinião

Ora, houve realmente quem condenasse a segunda forma, no intuito de evitar o afrancesamento de nossa sintaxe. Não há dúvida de que a intenção era nobre, mas, como veremos, equivocada. Os críticos de "em anexo" alegavam que, em bom Português, a preposição "em" deve combinar-se com substantivos, para formar locuções adverbiais ("em resposta", "em represália", "em aditamento", "em compensação"), e nunca com adjectivos, o que seria imitação servil da sintaxe francesa ( isso condenaria "em absoluto", "em definitivo", "em separado" e, seguindo o mesmo raciocínio, "em anexo"). É curiosa essa ideia de "defender" nosso idioma contra invasões estrangeiras, porque uma língua só incorpora aquilo que a beneficia. No entanto, para fins de argumentação, digamos que se pudesse concordar em evitar as locuções formadas de [em + adjectivo]: ainda assim, "em anexo" estaria fora dessa interdição, uma vez que aqui, como vimos acima, "anexo" é um substantivo ("a lista vai num anexo", "a lista vai como anexo"). Lembra-se que muitos manuais de redacção oficial recomendam que especifiquemos, ao final de um ofício ou carta de encaminhamento, o número de documentos anexados: "Anexos: 4". Em teses e dissertações, abrimos, muitas vezes, uma secção de "Anexos", e a eles nos referimos como a substantivos: "No Anexo 1, podemos ver ..."; "O Anexo 2 contém ..."; etc.

 

 


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pontuação das adversativas



"É correcto reduzir o tamanho de um período composto (principal+subordinada+coordenada), sendo sindética a oração coordenada, mediante o emprego de ponto final em vez de vírgula antes da conjunção coordenativa?
Para facilitar o entendimento, veja-se um período de um artigo: "A etimologia - sozinha - tem suas limitações: ela não explica a origem de todas as palavras. No entanto, sempre pode trazer novas ideias e agitar o pensamento".

Neste grupo, vamos separar com vírgula as orações introduzidas por mas, e com ponto ou ponto-e-vírgula as introduzidas por seus sinónimos (porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto, etc.). Observa as três versões da mesma frase, todas correctas :


(1) Ele está cansado, mas vai entregar o trabalho na data marcada.

(2) Ele está cansado; contudo, vai entregar o trabalho na data marcada.

(3) Ele está cansado. Contudo, vai entregar o trabalho na data marcada.

Essa diferença de pontuação entre o mas e seus sinónimos é clássica, e se deve ao carácter claramente adverbial destes últimos. A nossa nomenclatura é que os chama, equivocadamente, de conjunções , sem levar em conta o fato fundamental de que todos eles são pospositivos (isto é, deslocáveis para a direita, na oração a que pertencem):

(4) Ele está cansado; vai entregar, contudo, o trabalho na data marcada.

(5) Ele está cansado; vai entregar o trabalho na data marcada, contudo .

É por isso que a gramática do Inglês, mais acertadamente, chama o but (o nosso "mas") de conjunção, mas classifica todos os demais (however, nevertheless, etc.) de conjunctional adverbs (algo como "advérbios conjuncionais").

* " A etimologia - sozinha - tem suas limitações: ela não explica a origem de todas as palavras, no entanto, sempre pode trazer novas ideias e agitar o pensamento".

Esses nexos pospositivos, como exemplificado acima, só podem ficar entre vírgulas quando estiverem deslocados . Outra coisa: exactamente por esse carácter especial desses conectivos, são eles que vamos usar preferencialmente quando queremos ligar dois parágrafos entre si e indicar, ao mesmo tempo, que o conteúdo do segundo se opõe ao conteúdo do primeiro.

 

 


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Superlativos eruditos


Qual o superlativo erudito das seguintes palavras (segue-se a lista abaixo). Há alguma regra para descobrir o superlativo erudito de palavras terminada em "l" e "ão".

Aqui vão alguns superlativos eruditos:

amargo amaríssimo
áspero aspérrimo
cristão cristianíssimo
doce dulcíssimo
frio frigidíssimo
geral generalíssimo
livre libérrimo
magro macérrimo
miúdo minutíssimo
nobre nobilíssimo
pessoal personalíssimo
sábio sapientíssimo
sagrado sacratíssimo
sensível sensibilíssimo
terrível terribilíssimo
veloz velocíssimo
vulnerável vunerabilíssimo
amargo amaríssimo


Friso que essas são as formas eruditas; é evidente que todos eles admitem uma forma vernácula, formada simplesmente pelo acréscimo de íssimo ao radical actual.

 

Quanto à existência de uma regra para descobrir o superlativo erudito (não só de adjectivos terminados em "l" ou "ão", mas de qualquer um deles), é muito simples: é só voltar ao Latim. Ali é que os eruditos se formam. Sábio é sapiens; livre é liber; frio é frigidus; doce é dulcis; magro é macer; e assim por diante - isso explica sapientíssimo, libérrimo, frigidíssimo, dulcíssimo e macérrimo (as colunas sociais criaram um magérrimo, cruza de jacaré com cobra-d'água, que já ganhou a preferência popular...).

 

Os que terminam em vel, hoje, mesmo não sendo de origem erudita, voltam a assumir o "b" da forma latina do sufixo (agradável - agradabilíssimo); os que terminam em -ão geralmente assumem a outra forma da nasal que tinham no Latim (o "N"), como em cristão>cristianíssimo, pagão>paganíssimo. Isso, contudo, não tem nada a ver com regras de formação de superlativos; trata-se simplesmente de mudanças fonológicas bem mais amplas, ocorridas na passagem do Latim ao Português. Além disso, os adjectivos que possuem, em nosso idioma, este superlativo especial, erudito, são em muito pequeno número: não chegam a duas centenas, o que é quase nada, comparado aos 100.000 adjectivos que temos hoje - numa estimativa muito moderada.
 

 


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o género de "personagem"

 


 Quanto ao género do vocábulo personagem, relembram-se alguns pontos de nossa velha gramática descritiva. Os substantivos do Português que se referem a seres humanos apresentam, na sua maior parte, uma forma para cada género: professor, professora; mestre, mestra; padeiro, padeira; etc. Há, no entanto, um pequeno grupo que tem apenas uma forma única, que vamos usar tanto para homens, quanto para mulheres. É muito importante lembrar que este grupo de substantivos uniformes divide-se, por sua vez, em três subgrupos:

1 - comum-de-dois - é aquele substantivo que, apesar de invariável, permite que nós distingamos o feminino e o masculino com base no artigo, numeral ou pronome que o antecede: o/a agente, este/esta colega, aquele/aquela intérprete, meu/minha cliente.

2 - sobrecomum - é o substantivo que tem um género gramatical determinado (ele ou é masculino, ou é feminino), mas que serve para designar pessoas de ambos os sexos. Um bom exemplo é cônjuge; este é um vocábulo exclusivamente masculino (o cônjuge, meu cônjuge); se eu precisar distinguir entre o homem e a mulher, no entanto, vou ter de lançar mão de recursos linguísticos adicionais: o cônjuge feminino, o cônjuge varão, etc. Este tipo de substantivo pode (e deve), por sua vez, ser dividido em dois subgrupos:

2.1 - sobrecomum masculino - serve para ambos os sexos, mas só tem a forma masculina, com a qual vão concordar todos os seus determinativos: o indivíduo, os dois cônjuges, o algoz.

2.2 - sobrecomum feminino - serve para ambos os sexos, mas só tem a forma feminina: a testemunha, a vítima, a criança. O problema com personagem pode ser traduzido numa simples pergunta: em qual dos três grupos acima ele deve ser enquadrado? Da resposta que escolheres, caro leitor, dependerá o tratamento que vais dar a esse vocábulo:

2.1 - sobrecomum masculino - se a tua opção foi por esse grupo, vais usar sempre o personagem, não importando se é homem ou mulher. "Capitu é talvez o melhor personagem de Machado de Assis", "Ceci e Isabel são os dois personagens femininos mais importantes de O Guarani", etc. Este é o género do vocábulo em Francês (personnage), de onde proveio a nossa palavra personagem; talvez por isso mesmo essa opção pelo masculino seja muito atacada pelos puristas, que vêem aqui o espectro do galicismo (ainda haverá quem fale nisso?).

2.2 - sobrecomum feminino - quem prefere esta usa sempre o feminino: "A personagem Bentinho", "D. Quixote e Sancho Pança são as duas personagens imorredouras de Cervantes". Muitos autores defendem esta forma, baseados num princípio bastante sólido: quase todos os vocábulos em -agem são femininos, no nosso idioma.


1 - comum-de-dois - esta é a posição defendida por Celso Luft e Houaiss; esta também é a posição que prefiro. Da mesma forma que usamos o e a selvagem, vamos usar a personagem para os indivíduos femininos ("a personagem Capitu"; "as personagens Cecília e Isabel") e o personagem para o sentido abstracto (agenérico) ou para o exclusivamente masculino: "o personagem de teatro é mais denso que o personagem do cinema"; "o personagem Bentinho"; "Bentinho e Capitu são os dois melhores personagens de Machado"; e assim por diante.

Todos nós sabemos que não adianta tentar forçar uma das escolhas acima; o máximo que podemos fazer é usá-la e, assim fazendo, contribuir para sua difusão, talvez até influenciar as outras pessoas para que também a usem. E não adianta lutar para que a nossa seja considerada a vencedora, porque jamais veremos isso acontecer - as três vão permanecer vivas por muito tempo, sobrevivendo a qualquer um de nós que esteja lendo estas linhas. Cada uma delas tem as suas razões, o que faz de personagem um belo exemplo de tolerância linguística: usem a forma que preferirem.
 

 


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"viver" como verbo de ligação?


Na oração "Mário vive cansado", o verbo viver - como ensinado nas escolas - é intransitivo. Porém, um aluno perguntou sobre a eventual possibilidade do mesmo ser verbo de ligação, como é o caso de andar na oração "Mário anda cansado". Estaria correcta a posição dele?

O aluno tem toda a razão. O verbo viver, no exemplo que deste, não é o viver intransitivo; aqui ele é classificado como uma espécie de verbo de ligação - um tanto especial, porque não é tão-somente relacional, mas "traduz uma noção além do estado (predicado verbo-nominal). Ex.: Eles viviam escondidos no mato. Há aqui noção de vida + estado oculto do sujeito", diz Celso Pedro Luft, em sua Moderna Gramática Brasileira (aviso a meus leitores: esta gramática só deve ser utilizada por professores ou estudantes de Letras; para o usuário comum, ela é técnica e inovadora demais). O mesmo Luft, no seu utilíssimo Dicionário Prático de Regência Verbal, vai mais longe: já classifica viver, nesta acepção, como verbo de ligação, com o significado de estar sempre (aspecto durativo, continuativo ou permansivo): "Ele vive gripado"; "Vive com dores de cabeça".

Nota que aqui está uma boa oportunidade de reformular a maneira de ensinar os verbos de ligação: em vez de fornecer aos alunos uma lista fechada (eu próprio aprendi, no meu tempo, a desfiar, de cor, aquela ladainha do "ser, estar, ficar, permanecer, etc."), é muito melhor ensiná-los a raciocinar. Podemos, por exemplo, levantar a seguinte hipótese: se viver for um verbo de ligação, ele estará ligando o sujeito a seu predicativo; ora, os predicativos têm a propriedade sintáctica de concordar, em género e número, com o sujeito (Ela está nervosa, ele está nervoso, eles estão nervosos, elas estão nervosas). Se na tua frase - "Mário vive cansado" - trocarmos Mário por Maria, vamos ter "Maria vive cansada": a flexão nos assegura que estamos diante de um predicativo. O mesmo vale para frases como "Ele virou delegado", "O menino saiu vencedor", "Ela acabou ferida", em que os verbos virar, sair e acabar funcionam como verbos de ligação, e delegado, vencedor e ferida são predicativos.
 

 


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vocábulos compostos: interpretação






O plural dos compostos. Concordo que, em vale-compras, a palavra vale seja substantivo. Mas acho que ela também pode ser interpretada com verbo (isso vale uma compra). Dessa forma, as duas formas (vales-compra e vale-compras) não deveriam estar correctas?

É tão fluida a natureza de nossos vocábulos compostos que são poucas as afirmações definitivas que podemos fazer sobre eles - ao contrário dos vocábulos simples, muito mais fáceis de sistematizar, cujo comportamento segue princípios que o falante termina "adivinhando". Nos substantivos do Português, por exemplo, é bem definida a oposição entre o plural, marcado pelo " S", e o singular, reconhecido exactamente pela ausência dele. Não nos incomodamos com os raríssimos substantivos que têm o " S" mesmo no singular (como pires ou lápis), embora falantes mais simples, sem instrução, muitas vezes interpretem essas formas como pertencentes ao plural e criem aqueles ingénuos singulares que nos fazem sorrir: "*quebrei um pir", "*perdi meu lápi" (análogo a faquir, faquires e táxi, táxis). Deves perceber que esses erros não se devem ao desconhecimento da regra do plural, mas sim à interpretação errónea dos fatos linguísticos.

A importância dessa interpretação, por parte do falante, é decuplicada no caso dos compostos. Os compostos não são carne, nem peixe: eles ficam num limbo intermediário entre um vocábulo simples e unitário (como cadeira, palha) e um elemento da estrutura sintáctica, formado por vários vocábulos (como " cadeira de palha"). Graficamente, um composto actua como um vocábulo uno, pois fica isolado entre dois espaços em branco; ora, por que não acrescentamos, simplesmente, um "S" no final de guarda-noturno, pé-de-moleque, hora-aula, formando * guarda-noturnos, * pé-de-moleques e * hora-aulas? Exactamente porque sentimos a presença da estrutura sintáctica que lhe deu origem. Fazemos guardas-noturnos porque temos aí uma banal sequência de um substantivo acompanhado de seu adjectivo modificador; fazemos pés-de-moleque porque estamos flexionando o núcleo de um antigo sintagma nominal (como cartas de baralho, flores de papel, etc.); fazemos horas-aula pela mesma razão, já que a presença do substantivo à direita, agindo como especificador ("aula"), é explicada pela estrutura subjacente "horas de aula".

Quando vamos operar com um vocábulo composto, essa "desmontagem" mental pode variar de um falante para o outro, criando-se assim diferentes consequências flexionais. Se eu decompuser vale-refeição como [vale uma refeição], terei enxergado aqui uma estrutura [verbo + substantivo] (análoga a "tira-gosto", "quebra-pedra", "porta-estandarte"), que só poderá ser flexionada no substantivo: vale- refeições. Se, no entanto, eu interpretá-lo como [vale destinado à refeição], terá a estrutura [substantivo+ especificador] (análogo a "operário-padrão", "hora-aula"), que só deve ser flexionada no primeiro elemento: vales-refeição.

Sempre que encontrares dúvida ou hesitação na flexão de um composto, podes ter certeza de que isso foi motivado pela possibilidade, naquele determinado caso, de uma dupla interpretação sintáctica de seus elementos constituintes. Abraço. Prof. Moreno

P.S.: no caso particular de vale-compra, vale-refeição, etc., repito que opto sempre pela interpretação [substantivo + especificador], com o consequente plural vales-compra, vales-refeição . A meu ver, este vale que aqui é uma substantivação formada a partir do verbo valer : o papel onde se escrevia (e ainda se escreve) "vale um refrigerante", "vale cem reais", "vale uma entrada para o domingo", etc. passou a ter esse nome, assim como aconteceu com o habite-se ou o atenda-se .



Além disso, quando um composto é formado de [verbo + substantivo], sempre pressupomos um sujeito que complete essa estrutura: porta-estandarte é, no fundo, " alguém que porta o estandarte"; bate-estaca é "um aparelho que bate a estaca". Isso impede que façamos uma referência abreviada ao composto, usando apenas o seu primeiro elemento ("*lá vem o porta ", "*ouça o bate"), o que pode, no entanto, ocorrer em compostos cujo núcleo é um substantivo : o guarda-civil, o guarda ; o mestre-escola, o mestre ; o vale-transporte, o vale ; e assim por diante.

 


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-eano ou -iano?

O sufixo -ano, com sua variante -iano, tinha um significado básico de proveniência, origem: doces serranos, autores italianos, monges tibetanos. Com o tempo, passou a indicar também a proveniência de uma ideia, a partir do nome de um autor ou de um movimento intelectual: sonetos camonianos, ideal republicano, igreja anglicana. Sua definição semântica, como vemos, é muito simples; o problema é sua representação gráfica. É aí que as pessoas encontram problemas - e com toda a razão. Basta examinarmos uma lista de palavras com este sufixo para perceber o quanto o quadro parece confuso: ao lado de formas simples em -ano (tebano, curitibano), encontramos vocábulos em -eano (coreano, montevideano) e em -iano (machadiano, açoriano). Um actor especializado em peças de Shakespeare é shakespeareano ou shakespeariano? Aquela apresentadora de TV é uma charmosa balzaqueana ou balzaquiana? Quem nasce no Acre é acreano ou acriano?

Quando usar -eano?

Comparando-se a desproporcional ocorrência das duas formas, fica muito mais fácil para nosso leitor tomar -iano como a forma normal e -eano como a forma excepcional. Colocando de maneira simples: use sempre -iano, a não ser nos poucos casos em que vai ter de usar -eano. E que casos são esses? Somente aqueles em que o radical do vocábulo primitivo tiver um "E" final (não a vogal temática) : Taubaté + ano = taubateano, Galileu + ano = galileano. Uma pesquisa nos dicionários nos forneceu, além desses dois exemplos, uma lista assaz reduzida: bruneano (Brunei), coreano (Coréia), corneano (córnea), daomeano (Daomé), gouveano (Gouveia), guaxupeano (Guaxupé), guineano (Guiné), lineano (Lineu), mallarmeano (Mallarmé), montevideano (Montevidéu), nazareano (Nazaré), pompeano (Pompéia), tieteano (Tietê), traqueano (traquéia), varzeano (várzea) e vaqueano (empréstimo do Espanhol).

Quando usar -iano?


Todos os demais vão apresentar a forma -iano, que se acrescenta directamente ao radical ou depois da queda da vogal temática: bachiano (Bach), balzaquiano (Balzac), bilaquiano (Bilac), bocagiano (Bocage), borgiano (Borges), drummondiano (Drummond), freudiano (Freud), machadiano (Machado), mozartiano (Mozart), poundiano (Pound), rosiano (Rosa), sartriano (Sartre), shakespeariano (Shakespeare), veneziano (Veneza), entre muitos outros. Costuma-se ver lógica booleana (de Boole), mas os especialistas (o próprio Aurélio, entre outros) não a consideram correcta, preferindo booliana. O caso mais comentado é acriano. O dicionário da Academia de 1943 (nosso famoso PVOLP) registrou como acreano o gentílico do Acre, numa evidente contradição com os princípios que defendia. Celso Luft chama isso de "erro ginasiano"; Aurélio, mais diplomático, diz que é uma variante "menos boa". No VOLP, que é bem mais recente, a Academia registra acreano, mas remete (indicando, portanto, sua preferência) para acriano. Que assim seja. Ah, em tempo: a personagem da foto era uma charmosa balzaquiana.

 

 


 

 


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acento em verbo com pronome


A questão é a seguinte:

quando devo acentuar a última sílaba antes do hífen?

Por exemplo: o que determina ser "abraçá-la" ou "abraça-la"; "destruí-lo" ou "destrui-lo"?

 

Quais seriam as regras para construções desse tipo?

O hífen é considerado um sinal de limite vocabular; logo, qualquer vocábulo com hífen é formado de duas partes distintas (antes e depois desse sinal). Nos verbos com pronomes enclíticos, deves descartar o pronome e ficar apenas com o verbo - ele é o vocábulo que será levado em conta pelas regras de acentuação. "Comprar", "perder", "repor", "partir" e "construir" são vocábulos que não recebem acento por não se enquadrarem na regra das oxítonas (terminam em "-R"). Quando essas formas perdem o "R" devido ao acréscimo do pronome enclítico, no entanto, devem ser reexaminadas quanto à acentuação. Comprá-lo, perdê-lo, repô-lo e construí-lo ganham acento, enquanto parti-lo não (como vatapá, você, avô e açaí, de um lado, e saci, do outro).

 

 


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o acento dos porquês



Se porque é oxítona terminada em E, não deveria ser acentuada graficamente? Ou seria ela uma paroxítona, mas esta é uma pronúncia pouco conhecida? Por que ela é acentuada somente quando for substantivo ("o porquê") e não quando for uma simples conjunção, já que há outras conjunções devidamente acentuadas pela regra de acentuação, como, por exemplo, porém? Eis um caso que nem mesmo a Academia de Letras consegue resolver. Curioso, não? Pois ela não entra nem mesmo nos casos de acentos diferenciais (porque (conjunção) x porquê (substantivo).

 A explicação é simplíssima: as regras de acentuação dizem respeito aos vocábulos oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos — ou seja, os vocábulos tónicos do Português (aqueles que têm uma sílaba tónica). Em termos gerais, é simples assim: algumas dessas palavras recebem acento gráfico, outras não, de acordo com as regras estabelecidas pela Norma Ortográfica. Acontece que nossa língua tem alguns vocábulos que são átonos; são poucos, é verdade, mas existem: os artigos, os pronomes oblíquos átonos, a maior parte das preposições, grande parte das conjunções, etc. Podes encontrar a lista dessas palavrinhas nanicas em qualquer boa gramática (recomendo, como sempre, a do Bechara, que é o nosso gramático de referência). Essas palavrinhas que vivem no mundo dos átonos não são afectadas pelas regras de acentuação, que só podem, naturalmente, enxergar as palavras tónicas. Pois fica sabendo que o que e o porque vivem lá, nas alturas, longe da vida agitada das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas — e por isso não têm acento, na sua essência.

Em certas situações fonológicas ou sintácticas especiais, no entanto, eles se transformam em vocábulos tónicos: (1) quando estão no final de um grupo entonacional ou (2) quando se tornam substantivos (e, ipso facto, tónicos). Neste momento, a regra de acentuação das oxítonas e dos monossílabos tónicos passa a enxergá-los, e eles recebem o acento cabível — Você vive de quê? Ele não veio, e eu não sei por quê. Ela tem um quê misterioso — e assim por diante.

Fora dessas situações, eles voltam a ser pacatos habitantes da nuvem em que moram os vocábulos átonos. Isso fica bem claro se comparararmos o exemplo "Ele não veio, e eu não sei por quê" com, digamos, "Ele não veio, e eu não sei por que fiquei aqui esperando". Ao sair da posição extrema de um grupo entonacional, (os professores antigos diziam "do final da frase", mas eu não gosto, porque o fenômeno também ocorre no meio da frase, antes de certas vírgulas, do dois-pontos e do ponto-e-vírgula), ele deixa de ser tónico e perde seu acento. Em suma: normalmente, esses dois vocábulos são átonos e, consequentemente, não têm acento; nos dois casos em que se tornam tónicos, são tratados como vocábulos comuns.
 

 


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Para que servem os acentos gráficos?



A base de nosso sistema de acentuação gráfica foi estabelecida por uma comissão de "notáveis", na década de 40. Pode-se até discutir se os acentos gráficos são ou não necessários para a ortografia do Português; muitos autores, olhando para o Inglês (que vive muito bem sem acentos), defendem a total inutilidade desses sinaizinhos. Outros, olhando para o Francês (com seu inferno acentual), felicitam-se por ter um sistema tão simples e racional como o nosso. É de notar é que a maioria dos falantes não sabe exactamente qual a finalidade dos acentos; em outras palavras, não sabem por que os acentos vieram a este mundo.

O acento não tem a função de distinguir uma palavra de outra, como muita gente pensa. Os acentos gráficos são usados para sinalizar, quando necessário, a prosódia de uma palavra. Numa definição simplificada, a prosódia seria a correcta colocação da sílaba tónica dentro do vocábulo.

 

Quem diz RUbrica, com a tónica no RU, está cometendo exactamente um erro de prosódia.

A maior parte de nossos vocábulos não necessita de acento porque sua prosódia está de acordo com a expectativa dos falantes. Os vocábulos acentuados - na verdade, apenas 20% de nosso vocabulário total - são exactamente os que se afastam dessa pronúncia esperada, como você verá logo a seguir. Neste caso, o acento indica aquela sílaba tónica que fica onde normalmente não se esperaria que ela ficasse.

Por que táxi é acentuado? Usando a experiência que todos nós temos do Português escrito, vemos que a maioria dos vocábulos que terminam em -i- são lidos instintivamente como oxítonos: sucumbi, aqui, exigi. Esta é uma tendência comprovada estatisticamente. Em Táxi, portanto, o acento nos avisa de que esta palavra não segue o padrão, já que sua tónica não é a última. Examina os exemplos abaixo, e verás que os vocábulos que recebem acento são os que contrariam a tendência normal:

aQUI, coliBRI, desisTI, escreVI, mas táxi

douTOR, aMOR, caLOR, relaTOR, comPOR, mas flúor

DOce, PObre, VOLte, GRAve, paREde, mas você

 

Acentos a menos
Os acentos  servem e servem muito. Reparem como nos seguintes exemplos a presença ou ausência de acento dá origem a uma palavra diferente:

- estudámos (Pretérito Perfeito do Indicativo) / estudamos (Presente do Indicativo)
- pôr (verbo) / por (preposição)
- pára (verbo parar) / para (preposição)
- influência (nome) / influencia (verbo)
- contínua (adjectivo) / continua (verbo)

É bom salientar algumas palavras graves terminadas em ão, que são frequentemente escritas sem acento: *benção, *orfão, *orgão e *sotão.
 Generalizou-se a ideia de que o til é um acento gráfico e, por esse motivo, hesita-se em colocar um acento na primeira sílaba destas palavras, porque “ficariam com dois acentos e isso não é possível em Português”.


Ora, convém esclarecer que o til não é um acento gráfico, mas sim uma marca de nasalidade, indicando vogais nasais (ex. irmã) ou ditongos nasais (ex. irmão). Normalmente, este ditongo coincide com a sílaba tónica (leão, coração, etc.), mas há casos em que pode não coincidir. Em bênção, órfão, órgão e sótão, o acento tónico encontra-se na primeira sílaba.
Experimentem pronunciar pausadamente estas palavras, sem acento, e vão verificar que a tónica recairá na sílaba em que ão se inclui. Vão com certeza achar graça a essa prosódia!

Estas palavrinhas são muito vaidosas, por isso, não se contentam com um adereço apenas, e exigem sempre mais um! Digam lá se não ficam bem mais elegantes com dois!

bênção, órfão, órgão e sótão
 

 


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Acentos a mais
Alguns erros ortográficos decorrem da falta de acentos, mas muitos resultam também do seu excesso. Considerem-se as seguintes palavras que costumam“pecar” por excesso:


*alcoolémia, *rúbrica, *outrém, *inclusivé, *à priori, *sózinho e *diáriamente.
 

Alguns destes erros têm origem em vícios de pronúncia, é o caso de *alcoolémia e *rúbrica.
Outros são cometidos por analogia com palavras semelhantes, por exemplo, *outrém (por analogia com ninguém e alguém).

 

Uma das regras de acentuação diz que são acentuadas apenas as palavras agudas (não monossilábicas) terminadas em -em. Ora, outrem é uma palavra grave.
 

Verifica-se, ainda, uma tendência para colocar um acento gráfico em determinadas vogais abertas: *à priori e *inclusivé. Estas palavras são expressões latinas e, por isso, a sua grafia original deve ser respeitada (em latim não havia acentuação gráfica). Para além disso, se pronunciarmos a palavra inclusive pausadamente, verificamos que o acento tónico recai na sílaba si, logo, não faz sentido colocar um sinal gráfico na vogal /e/.
 

Por fim, palavras terminadas em -mente e em -zinho têm também por hábito receber um acento! Por exemplo: *sózinho e *diáriamente. Ao associar qualquer sufixo a uma palavra base, o acento tónico avança “uma casa”, passando a recair na primeira sílaba do sufixo. Por isso, essas palavras não devem ter qualquer acento gráfico, já que este daria uma falsa indicação do acento tónico.
Digam lá, então, se as ditas palavrinhas não ficam mais bonitas sem qualquer adereço!
alcoolemia, rubrica, outrem, inclusive, a priori, sozinho e diariamente.


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Ainda os acentos... palavras terminadas em -inho/a




Regra muito simples: NENHUMA palavra terminada em -inho ou -inha leva acento gráfico
.


Portanto, deixem-se de “avôzinhos” e “avózinhas”, de “cafézinhos”, de “cházinhos”, de “baínhas”, “pézinhos” e, sobretudo, de “sózinhos”!
É que em todas essas palavras a vogal tónica é o i da penúltima sílaba. E não se pode colocar acento agudo ou circunflexo noutra vogal que não seja a tónica, por mais aberto que seja o seu som.

 


 

 


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quê?



Este "que" deve ser acentuado?



Este "que" não tem acento. Esta partícula - seja ela pronome, seja conjunção - é apenas um monossílabo átono, assim como se, lhe, me, etc., escapando, portanto, à regra de acentuação. Para que ela receba o circunflexo, é indispensável que ela se torne tónica, passando então a fazer parte daquele grupo integrado também por lê, crê, dê, vê, entre outros.

Essa mudança na tonicidade vai ocorrer em duas situações: em primeiro lugar, quando o "que" se encontra no final da frase (isto no que se refere à fala, não à escrita):
- Obrigado! Não há de quê.
- Não há de quê, amigo.
- Você está falando do quê?
- Quero pagar, mas não tenho com quê.



Em segundo lugar, quando o "que" tornar-se um substantivo (admitindo, nesse caso, o plural). Isso acontece quando ele passa a ser o núcleo de um sintagma, precedido daqueles vocábulos que habitualmente acompanham os substantivos: artigos, pron. possessivos, pron. indefinidos, pron. demonstrativos adjectivos:
- Ela tinha um quê de fascinante.
- Esta cidadezinha tem lá os seus quês.


No entanto, em frases como "tudo o que você fez", "não sei o que queres", este "O" não é um artigo, mas um pronome demonstrativo substantivo (equivalente a aquilo: tudo aquilo que você fez), que não vai alterar a tonicidade do "que".

Um antigo gramático sugeria a seguinte maneira prática de distinguir o "que" tónico do átono: quando ele é átono, o falante pode pronunciá-lo como /kê/ ou /ki/ (com preferência esmagadora pela segunda forma); quando ele é tónico, só pode pronunciá-lo como /kê/. Seguindo esse útil critério, o facto de podermos dizer "tudo o /ki/ você fez" reforça o que já sabíamos: esse "que" é átono.

*Quando o vocábulo estiver substantivo em metalinguagem - isto é, quando estivermos a falar dele, como ocorreu várias vezes nas linhas acima -, não devemos acentuá-lo, mas grifá-lo ou colocá-lo entre aspas.

 


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Há ou Havia ?

 

 

Qual é a forma correcta?

"Ela estava em cena Há mais de uma hora."
ou
"Ela estava em cena havia mais de uma hora."

 

Segundo o princípio da correspondência dos tempos verbais, devemos dizer que "ela estava em cena havia mais de uma hora", porque o verbo que acompanha a forma "havia" está no pretérito imperfeito (=estava, fazia, era). Assim também se daria se estivesse no pretérito mais-que-perfeito (=estivera, fizera, soubera, tinha estado, havia feito).

Em caso de dúvida, podemos usar o seguinte "macete": substituir o verbo " haver " pelo " fazer ". Se o resultado da troca for " fazia " (e não " faz "), use " havia " (e não " há ").

Exemplos:

" Estava sem comer havia (=fazia) três dias."
" Havia (=fazia) dez anos que o clube não era campeão."
"Ela estivera naquela cidade havia (=fazia) muito tempo."

É importante observar que a acção se encerrou. A forma há (=faz) indica que a acção verbal prossegue. Veja a diferença:

" Havia dez anos que o clube não era campeão." (=o clube acabou de ganhar o campeonato);

" HÁ dez anos que o clube não é campeão." (=o clube continua sem ganhar o campeonato).

 


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"Conserto" ou "Concerto"?



1 - "
Conserto" significa reparo.

 

Por exemplo:
Precisamos mandar consertar o carro.
Meu pai consertou a mesa que havia quebrado.
A televisão está no conserto.


2 -
"Concerto" significa sessão musical, consonância de sons ou vozes.

 

Por exemplo:
Fomos assistir a um concerto de ópera.
Vamos a um concerto de piano no teatro da cidade.
 

 


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"Empecilho" ou "Impecilho"?



A forma correcta é empecilho, impecilho não existe.

 

Por exemplo:


Ao longo do caminho alguns empecilhos impediram que ele chegasse no horário marcado.
 

 

 


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“Encontrar-se-á” ou “encontrar-se-à”?



Muitos têm a tentação de colocar um acento grave nesse a que fica “pendurado” no final das flexões de verbos no Futuro do Indicativo, quando existe mesóclise.
 

 

“Mesóclise?! Que palavra estranha! O que é isso?”, estarão alguns leitores a perguntar. Simples: vem de -meso-, elemento de composição de origem grega que significa meio, e usa-se para designar as formas verbais em que o pronome não aparece antes, nem depois, mas sim no meio do verbo. Já agora, porque os palavrões são só três, sistematizemos:


Próclise: pronome antes do verbo. Ex.: “Quem te disse isso?”
Mesóclise: pronome no meio do verbo. Ex.: “Entregar-te-ei em breve”
Ênclise: pronome depois do verbo. Ex.: “Deram-nos mais tempo.”

Ora, na realidade, a mesóclise só o é hoje em dia. Porque aquele á, ou aquele ei, que aparece depois do pronome, no Futuro do Indicativo, e que dizemos ser a terminação do verbo, é o que resta da flexão do verbo haver, que se usava (e ainda usa!) como auxiliar, para exprimir a ideia de futuro. Reparem:

Encontrar-se-á é, na verdade, encontrar-se-(h)á – ou seja: há-de se encontrar
Entregar-te-ei é, na verdade, encontrar-te-(h)ei – ou seja: hei-de te entregar

Assim, não há dúvida: o acento do é agudo, exactamente como o acento de há. Só lhe falta o h!

 

 

 


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outrem, nuvem e constroem


Eis três palavras que parecem uma verdadeira tentação: é que quase ninguém resiste a colocar-lhes um acento agudo!
Sendo todas elas graves, nenhuma deve ser escrita com acento, pelo que é incorrecto grafá-las assim: “outrém”, “núvem” e “constróem”.
Explica-se isto porque a nossa tendência natural, enquanto falantes de português, é para pronunciarmos as palavras que acabam em -em com tónica na penúltima sílaba. Não precisam, portanto, de acento, as palavras outrem, nuvem e constroem, tal como tantas formas verbais, como fazem, comem, bebem, vivem... Bem vistas as coisas, é tão absurdo escrever “núvem” e “constróem” como seria ridículo escrever “ôntem” ou “lútem”!
 

 

Pelo contrário, palavras agudas terminadas em -em, essas sim, levam acento gráfico (alguém, também, Belém) – excepto as monossilábicas – precisamente para que não sejam pronunciadas como se fossem graves. Desta forma evidenciamos a diferença entre, por exemplo, contem e contém.
 

Portanto, no erro frequente “outrém”, há duas incorrecções: primeiro, acentuar graficamente uma palavra grave terminada em -em e, segundo, colocar o acento sobre a vogal e, que nem sequer é tónica.
O caso de “constróem” também é duplamente grave, pois não só se trata de um erro de acentuação, como é um erro que o corrector automático do meu computador me aconselha, em vez da forma correcta constroem!

 


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As "rúbricas" não existem!


Bom... existem, mas apenas na cabeça de muita gente. Nos dicionários de Língua Portuguesa, aquilo que as pessoas pronunciam como palavra esdrúxula, que escrevem com acento agudo no u e que julgam significar "assinatura", de facto, NÃO EXISTE.


O que existe é a palavra grave rubrica, que tem esse e outros significados.


Não acreditam? Vejam com os vossos próprios olhos! E não se esqueçam de dizer sempre rubrica (mas preparem-se para serem corrigidos por muito boa gente...!)

 


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“Hão” coisas que não percebo...!


O verbo haver, quando é verbo principal numa oração, com o significado de existir, ou acontecer, apenas se conjuga na 3ª pessoa do singular, por ser impessoal. Assim, dizemos “há coisas” e não “hão coisas”, “houve situações” e não “houveram situações”, “haverá riscos” e não “haverão riscos”, etc. Contudo, muita gente esquece que a regra de não flexionar o verbo haver de acordo com um pretenso sujeito (que afinal não é sujeito nenhum) também se aplica aos seus auxiliares, como ter, costumar, continuar, ir, poder, etc. Assim, acontece frequentemente ouvir-se “vão haver concertos” em vez de “vai haver concertos”, “continuam a haver vagas” em vez de “continua a haver vagas”, “têm havido reclamações” em vez de “tem havido reclamações”.


Portanto, o verbo haver é sempre impessoal se for verbo principal, o que se manifesta inclusivamente na flexão dos seus auxiliares.

 

 Só devemos conjugar o verbo haver em todas as pessoas quando é auxiliar: seja com o sentido de ter (ex.: “eles haviam feito”), seja como expressão de intenção (ex.: “eles hão de fazer”).

 


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A vírgula e a sintaxe – amigas inseparáveis


Sabiam que as vírgulas podem alterar a sintaxe de uma frase?

Observem os exemplos seguintes, que diferem apenas na presença/ausência de vírgulas:

(1) O irmão da Ana que mora em Paris não vem ao casamento.
(2) O irmão da Ana, que mora em Paris, não vem ao casamento.

Pois bem, a presença ou ausência de vírgulas dá origem a orações diferentes.
No exemplo (1), a oração “que mora em Paris” é uma relativa restritiva, que restringe o âmbito do nome “irmão”, ou seja, indica-nos que só o irmão que mora em Paris é que não vem ao casamento (e dá-nos a ideia de que a Ana tem mais irmãos para além desse).
 

Se omitíssemos a oração relativa “que mora em Paris”, o sentido da frase seria alterado:
“O irmão da Ana não vem ao casamento” (esta frase tem um significado diferente de “o irmão da Ana que mora em Paris não vem ao casamento").

Na frase (2), “que mora em Paris” é uma oração relativa explicativa, a qual nos dá apenas uma informação adicional, acessória, pelo que a sua omissão não altera o sentido global da frase: o irmão da Ana não vem ao casamento (ela só tem um irmão).

E termino com um desafio: por que razão os exemplos (3) e (4), SEM VÍRGULAS, são agramaticais (i.e. incorrectos do ponto de vista sintáctico-semântico)?

(3) * Os linces que são mamíferos estão em vias de extinção.
(4) * Steven Spielberg que realizou o “Parque Jurássico” ganhou celebridade mundial.

 


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“Informamos que” ou “de que”?


O verbo informar requer, à partida, dois complementos, um deles directo (informamos alguém) e o outro preposicionado (sobre ou de alguma coisa).
Em princípio, estando os dois complementos presentes na frase, a preposição exigida antes do segundo complemento não deve ser omitida. Portanto, “Informamos os nossos estimados clientes de que o estabelecimento se encontra encerrado para obras”.
 

No entanto, é possível que, na frase, esteja ausente o complemento directo (a pessoa ou entidade a quem se informa). Nesse caso, é legítimo omitir a preposição de antes da conjunção que: “Informamos que o estabelecimento se encontra encerrado.”
 

Alguns autores consideram correctas as construções em que se omite o de, mesmo quando o complemento directo está presente (pelo que também seria aceitável escrever “Informamos os nossos estimados clientes que o estabelecimento se encontra encerrado”). O que todos consideram INCORRECTO é usar a preposição de nos casos em que o complemento directo está ausente: “Informamos (de) que o estabelecimento se encontra encerrado”.

 


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“Do” ou “de o”?


Será mais um preciosismo, mais uma batalha garantidamente perdida?
A verdade é que há uma diferença entre contrair ou não contrair preposições como a, de, por e determinantes ou pronomes como o, a, ele, ela, este, isto, etc.
A diferença reside no facto (e aqui já temos uma frase exemplificativa) de o referido determinante ou pronome ser ou não o sujeito de uma oração infinitiva.

 

No caso da frase anterior, por exemplo, temos um verbo no Infinitivo (“ser”) cujo sujeito é “o referido determinante”. É por isso que seria incorrecto escrever: *“a diferença reside no facto do determinante ser ou não sujeito”. É como se a separação entre de e o servisse precisamente para evidenciar, a priori, a importância do determinante o enquanto sujeito da oração seguinte, para avisar os leitores de que a frase não acaba ali.
 

Se após o determinante ou pronome não houver nenhum verbo no Infinitivo, então já é recomendável contraí-lo com a preposição anterior. Por exemplo aqui: “Achei óptima a ideia dele.” (Em vez de: *“Achei óptima a ideia de ele.”). E até poderia haver uma oração a seguir, desde que ele não fosse o respectivo sujeito. Por hipótese: “Achei óptima a ideia dele, embora me parecesse um pouco ousada.”
 

 


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Por forma a ou de forma a?

 


Ao escrevermos, sobretudo quando pretendemos expressar-nos numa linguagem mais cuidada, temos tendência para usar certas estruturas perifrásticas que parecem tornar as frases mais bem sonantes, mais eruditas. Perifrásticas porque implicam, em muitos casos, usar mais palavras do que seria necessário para veicular uma ideia com clareza. Porque, bem vistas as coisas, tanto de forma a como por forma a servem para dizer para, com três palavras em vez de uma só.


Mas qual das duas será, para quem opta por usar esses termos, a mais legítima?


O problema – que não é um verdadeiro problema – está na escolha entre uma e outra, quando o objectivo é usar correctamente a nossa língua: é que a locução de forma a é desaconselhada pelos puristas, que a consideram um galicismo desnecessário (ver Ciberdúvidas) mas, por outro lado, a expressão por forma a ainda não foi dicionarizada, portanto também não será 100% correcta, se quisermos ser completamente rigorosos.
Todavia, trata-se de um falso problema, uma vez que nunca ninguém precisou que as locuções aparecessem nos dicionários para as utilizar. E quanto aos galicismos, há muitos outros que já vingaram em português e que passam hoje despercebidos, como pôr ou colocar uma questão, a nível de, face a, etc. ...

 


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As perguntas colocam-se ou fazem-se?


“Fazer perguntas” era uma expressão que toda a gente usava e da qual ninguém desgostava, Faziam-se perguntas complicadas, embaraçosas, difíceis, indiscretas e por aí fora – mas todas as perguntas eram feitas.
Hoje em dia, pelo menos a julgar pelo que se ouve na comunicação social (e pelo que já se lê nalguns dicionários, é certo), as perguntas já não se fazem – já nem se põem... COLOCAM-SE! É muito mais bem sonante, sem dúvida. Basta “colocar-se uma questão” em vez de se “fazer uma pergunta” e o nosso registo sobe logo de corrente para cuidado.
Contudo, será legítimo “colocar perguntas” na nossa língua?
Soa a galicismo (poser = colocar - des questions). Até porque se usa mais o verbo colocar com o termo questão do que com a palavra pergunta, talvez porque “question” é pergunta em francês. Mas enfim...
Nada como uma moda nova para renovar a língua, de modo a não nos fartarmos dela!

 

 


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UniSSexo com dois ss!



Há 129.000 ocorrências da palavra “unisexo” no Google, contra 12.400 ocorrências de unissexo. Parece que o Simplex já chegou à ortografia!
Contudo, será que vale mesmo a pena poupar um s, quando a palavra "unisexo", além de ficar mal escrita, ainda soa mal? É que, lembrem-se, o s entre vogais tem som de z: em asa, liso, ausente, mesa e tantas outras palavras, essa regra é tão óbvia que ninguém duvida dela. Porém, quando se trata de dobrar a consoante por causa de um prefixo (uni + sexo), pouca gente se apercebe de que, não o fazendo, está a escrever uma palavra cujo som é “unizekso”. Fica giro, mas até custa a dizer... (Experimentem! Parece que estamos constipados!)
 

 

 


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Camera ou câmara de filmar?


Se pensam que para designar a máquina de filmar, só têm à disposição a palavra inglesa camera, porque câmara refere o edifício onde os vereadores de um município se reúnem, desenganem-se!

Camera e câmara são dois termos que podem designar a mesma realidade - equipamento de filmar/fotografar. Camera é um estrangeirismo, importado do inglês, e câmara é a palavra portuguesa, que, como tantas outras, é polissémica. Quer isto dizer que, para além de aposento, arca, edifício municipal, etc., também significa "máquina de filmar ou fotografar".

Mas é correcto usar a palavra camera? A resposta é afirmativa.


Apesar de os linguistas mais conservadores preferirem o termo português, é legítimo usar o anglicismo, até porque é muito comum a utilização da palavra cameraman, em vez de “operador de câmara”.
Tudo depende da intenção do locutor, do contexto comunicativo, do destinatário da mensagem, enfim, há um conjunto de factores que influem na nossa escolha: camera ou câmara?

Em conclusão, ambos os termos são legítimos para designar o mesmo conceito. Apenas dois conselhos:


1. Não misturar a grafia das duas palavras, dando origem a uma outra que não existe: *câmera.
2. Se se optar pelo estrangeirismo, devemos assinalá-lo como tal, colocando-o entre aspas, ou em itálico, por exemplo.

nota: O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa já inclui a grafia "câmera" . Isto só vem comprovar aquilo que já todos sabemos: são os falantes quem manda na língua...

 

 


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PERFORMANCE


O que é? Quase toda a gente sabe.
De onde vem? Da língua inglesa, como tantas outras palavras que usamos diariamente.
Será um estrangeirismo ou um barbarismo? Depende do ponto de vista… para os utilizadores mais liberais da nossa língua, é um estrangeirismo perfeitamente aceitável, porque o seu significado não encontrava um equivalente adequado em português. Para os puristas, é um barbarismo, ou seja, um vocábulo “intruso” que não tem qualquer razão de ser, pois existem na nossa língua pelo menos vinte e um termos que o podem substituir (vejam a lista no Ciberdúvidas!).
Para onde vai? Para os dicionários de língua portuguesa, em breve, se continuar a ter a preferência dos falantes. Por mais alto que fale a voz dos defensores da vernaculidade do português, não serão eles quem decidirá se o termo vinga ou não – mas sim o uso que este tiver. E tem tido MUITO uso! A verdade é que a maior parte das pessoas que opta por dizer performance em detrimento de desempenho, fá-lo porque a palavra portuguesa não parece abranger a ideia claramente positiva de “eficácia”, de “sucesso”, que performance transmite.


Performance já anda na boca de toda a gente, quer conste dos dicionários, quer não. E assim se enriquece ou se empobrece a nossa língua?

 

 

 


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Mais shampoo... ou champô!



A questão que se deve colocar para cada termo é esta: o aportuguesamento representa uma maior clareza, no que respeita à pronúncia? Porque, na esmagadora maioria dos estrangeirismos, os falantes que os "importam" preocupam-se em pronunciar as palavras como o fazem os falantes da língua de origem. Dizemos, por exemplo, "sârfe" (e não "surfe"), "bâicane" (e não "bácôm").

 

Mas não mudámos a grafia das palavras surf e bacon. Porquê?


Nesses dois casos como em muitos outros, a adaptação não seria conveniente, porque o resultado seriam palavras de forma estranha e que talvez não suscitassem uma leitura inequívoca.

 

Já "futebol" e "maionese", por exemplo, não deixam dúvidas quanto à respectiva pronúncia e têm uma forma perfeitamente aceitável... até parece que nasceram cá!


Porém, no que respeita a decidir se a adaptação é legítima ou não, nem temos de nos preocupar muito, porque os falantes (e "escreventes"!) costumam optar, intuitivamente, pelas formas que são mais simples de entender. E que são agradáveis à vista! Porque se trata também, no fundo, de uma questão de sensibilidade, digamos, à falta de melhor termo: "ecrã" e "batom" parecerão a qualquer pessoa adaptações lógicas, enquanto "imaile" e “tisharte” têm uma forma que, logo à partida, não convenceriam nem conquistariam ninguém.


Os termos estrangeiros levam tempo a integrar-se na língua ao ponto de já nem repararmos que vieram de outra. Mas não vale a pena desesperarmos por causa disso! O tempo encarregar-se-á de apagar uma delas.

 

 


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"Como deve de ser" ou "como deve ser"?



Há muita gente a dizer "deve de ser" e "deve de fazer", mas a verdade é que não estão a falar como deve ser...
 

A razão é simples: o verbo dever não rege a preposição de. Assim como são incorrectas as frases *«Ele deve de vir mais tarde» e «Devem de ser duas horas» (em que o verbo dever exprime probabilidade e, talvez por isso, não dê tanto azo a confusões), também é errada a expressão *“como deve de ser”.
O motivo para o erro também é fácil de adivinhar: “deve de ser” e “deve de fazer” têm um sentido de obrigatoriedade semelhante a “tem de ser/fazer” e, com o verbo TER, o uso da preposição DE é legítimo. Por analogia, começou-se a introduzir essa mesma preposição a seguir ao verbo dever.
Como outras corruptelas populares, (as “parteleiras”, os “tiosques”, o “castrol no sangue”...), dizer “deve de ser” não se recomenda a quem queira causar boa impressão no que respeita ao uso da língua portuguesa. No entanto, fica aqui a ressalva: talvez venha a vingar, nunca se sabe... se até o nosso ilustre escritor José Saramago já a emprega há tanto tempo nos seus romances!...

 

 


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«Em rigor» ou «a rigor»?




Eis duas expressões muito parecidas, mas que, pelo menos em português europeu, têm sentidos diversos:
A locução em rigor pode ser interpretada literalmente, pois costuma preceder explicações ou exposições de ideias que se pretendem exactas. Pode ser, portanto, substituída pelo advérbio rigorosamente: por exemplo, na frase: «Em rigor, deveríamos dizer “o afluxo de pessoas”, em vez de “o fluxo de pessoas.”»
A expressão a rigor não deve ser usada como sinónimo da anterior, pois o seu significado já tem um cariz mais idiomático. Usa-se, sobretudo, a propósito de indumentária e significa de acordo com as exigências da ocasião. Assim, se vamos vestidos a rigor para uma festa, tanto podemos ir mascarados de vampiros (se for um baile de máscaras), de fato escuro e gravata ou vestido comprido e saltos altos (se for um jantar de gala), como, até, de pijama!

 

 


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Lavaste e lavas-te



A frequente dúvida de se pôr ou não hífen em determinadas formas verbais pode ser resolvida com dois simples truques!


Na frase “Lavaste o carro ontem?”, a forma “lavaste” escreve-se sem hífen, porque o TE é parte integrante do verbo, trata-se da desinência da 2ª pessoa do singular no Pretérito Perfeito do Indicativo (veja-se o restante paradigma: lavei, lavou, lavámos, lavaram).


Na frase “Lavas-te com sabonete?”, a forma “lavas-te”, pelo contrário, é grafada com hífen, de modo a separar a forma verbal “lavas” do pronome pessoal reflexo TE (lavo-me, lava-se, lavamo-nos, lavam-se). Por conseguinte, não se trata do mesmo TE.


O primeiro truque consiste no uso da negativa. Se escrevermos ambas as frases na negativa, verificamos uma pequena alteração: “Não te lavas com sabonete?”, “Não lavaste o carro?”). No primeiro caso, o pronome te mudou de posição, significa, portanto, que na afirmativa se escreve com hífen: LAVAS-TE; no segundo caso, não houve qualquer mudança, por isso na afirmativa escreve-se sem hífen: LAVASTE.
O segundo truque consiste em verificar qual é a vogal mais forte (tónica) da palavra. No caso de se usar o hífen, a vogal tónica fica mais longe da terminação da palavra (“lávas-te”), no caso de não se usar hífen, a vogal tónica é a que está mais perto do TE (“laváste”).
São velhos os truques, mas funcionam sempre em caso de dúvida!

 

 


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Controlo e controle

Enquanto substantivo, e em português europeu, controle é uma variante de controlo. Ambas as formas estão consagradas em diversos dicionários, sendo no entanto a última preferível, segundo os linguistas portugueses.


E por que motivo devem os Portugueses dizer e escrever, por exemplo, “está tudo sob controlo”, enquanto os Brasileiros optam por “está tudo sob controle”?
Ao contrário do que muitos pensam, não é por causa das novelas brasileiras que alguns portugueses dizem controle.

 

O termo é um galicismo, ou seja, entrou no nosso léxico por influência da língua francesa, e - tal como biciclete, camionete, equipe e omelete – foi posteriormente adaptado à nossa língua (e temos agora bicicleta, camioneta, equipa e omeleta).

 

No caso de controle, substituiu-se o -e final por um -o em vez de um -a, mas o procedimento é idêntico. Trata-se de uma alteração que tem vingado entre os portugueses (provavelmente teve início na linguagem popular e corrente, estendendo-se depois aos registos mais cultos), embora não entre brasileiros, que tendem a preferir as formas mais próximas do francês, terminadas em -e.

 

 


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Trás não é traz!


Ainda há quem confunda estas duas palavras, tão distintas em termos de significado!
Traz é flexão do verbo trazer (por isso se escreve com z...), na terceira pessoa do singular no Presente do Indicativo (“Ele traz os teus livros”) e também na segunda pessoa do singular no Imperativo (“Traz aquela cadeira, por favor”).


Trás é preposição e é pouco habitual aparecer sozinha, pois costuma usar-se em locuções (por trás, de trás...), ou ser substituída pelo composto atrás.
Porém, não há que enganar: quando é forma do verbo trazer, traz o z do Infinitivo!
 

 

 


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Sob e sobre


Eis uma confusão que persiste, embora as palavras em causa tenham sentidos opostos.

Sob significa “debaixo de” (vem de sub, que se usa como elemento de formação em palavras como subterrâneo e subentender)

 

sobre é “por cima de” e vem de super, que tem o mesmo sentido em latim.


Talvez por se tratar de duas palavrinhas curtas e semelhantes, ouve-se às vezes dizer, erradamente, que alguém está, por exemplo, “sobre pressão”, ou seja, usa-se sobre em vez de sob.

 

 

 


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Homens que pastam...



É normal confundirem-se os verbos pastar e apascentar, que designam relacionadas, embora muito diferentes.

 

Quem pasta são os herbívoros, quando se alimentam de erva.

 

Quem apascenta são os humanos que levam o gado até ao pasto e aí tomam conta dele.


Quando muito, pode dizer-se, num registo mais poético, que um cão apascenta o gado, se for daqueles muito espertos, que vão sozinhos a acompanhar os ruminantes. Mas seria absurdo dizer que os homens “pastam” ovelhas... como se elas fossem erva e eles as comessem directamente do chão!

 

 


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Comida à “descrição”?!


À porta de alguns restaurantes tipo rodízio, há umas tabuletas com um slogan apelativo que nos convida a entrar: “Comida à descrição!”


Mas, afinal, qual a diferença entre descrição e discrição? E qual a expressão correcta: à descrição ou à discrição?
Descrição é o acto de descrever, por exemplo, “A lojista fez uma descrição minuciosa do assaltante.
Discrição é a qualidade do que é discreto: “Ela veste-se com muita discrição.”
 

 

A expressão à discrição, frequentemente usada, significa “à disposição, à vontade, sem restrições”.
Parece não haver qualquer relação entre esta expressão e a palavra discrição, porém, os dicionários etimológicos dizem-nos que o significado original de discrição é precisamente “capacidade de ser prudente, de se conter”.

Até parece um contra-senso, porque quando comemos num desses restaurantes “à discrição”, somos tudo menos discretos!

 

 


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Em diferido ou em deferido?


Com o desporto a inundar os nossos ecrãs, em particular, o futebol, pode surgir-nos esta dúvida:
“O jogo vai ser dado em diferido ou em deferido?”
Pois bem, vamos lá saber que significados podem assumir estes dois verbos.
Deferir significa aprovar, conceder. Se fiz um requerimento, posso dizer que “o meu pedido foi deferido”, ou seja, “foi aceite”.

Diferir, por sua vez, exibe dois significados: 1. ser diferente, divergir: “A minha opinião difere da tua”; 2. adiar, transferir para outra data: “Vou diferir o pagamento deste serviço”.


E é com esta segunda acepção que a nossa dúvida fica resolvida:
Um jogo que não é transmitido em directo é, sim, transmitido em diferido!


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Entre impacto e impacte... afinal há diferença?


Serão poucos os que ainda têm dúvidas quanto à utilização da palavra impacto, que se generalizou como substantivo, com o significado de “embate” ou “forte repercussão”.
Mas na verdade, e em rigor, impacto é o Particípio Passado do verbo impactar (o mesmo que “meter à força”, “impelir contra”) e o termo a usar (enquanto substantivo) quando nos referimos a uma “colisão” ou a uma “consequência nefasta”, por exemplo no ambiente, seria impacte.
Todavia, há muito que os portugueses abandonaram a forma terminada em e, preferindo impacto em todas as circunstâncias. Talvez na assunção de que impacte fosse como equipe ou camionete, um termo provindo do francês e que deveria ser aportuguesado. Ou talvez por se ter criado a ideia de que impacte era um brasileirismo a evitar em Portugal.


O que é certo é que hoje, por cá, não só se usa pouco ou nada a versão impacte, como muito pouca gente sabe que o termo impacto foi (e ainda é!) um adjectivo participial, antes de ser um nome.

 

 


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Cessão do contrato??



Não é um erro de ortografia, porque a palavra existe, mas não tem qualquer relação semântica com o verbo cessar.
Cessão significa «acto de ceder, cedência» e não «acto de cessar, pôr termo a», como muita gente julga. Por exemplo:

(1) A Câmara cedeu um terreno à igreja.
(2) Amanhã vai ser feita a cessão do terreno à igreja.

O nome que corresponde ao verbo cessar é cessação. É uma palavra mais longa, com mais sibilantes, menos elegante, até! Mas é esta que faz justiça à regra de formação de nomes deverbais, i.e., nomes que provêm de verbos.

Por exemplo: arrumar + ção = arrumação; realizar + ção = realização

Se cessão fosse o nome relativo a cessar, então os nomes derivados de arrumar e realizar seriam *arrumão e *realizão!!

Pois bem, se é para abraçar um novo projecto, que se dê então a cessação deste contrato!

 

 


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TER MATADO, TER ACEITADO


Todos os dias, na comunicação social, ouço os jornalistas dizerem "ter morto" ou "ter aceite".

Alguém explica a estes senhores que com o auxiliar TER se usam as formas participiais regulares (terminadas em -ado e -ido) dos verbos que têm duplo particípio passado?

Quando é que eles passarão a dizer TER MATADO e TER ACEITADO? Quando a hipercorrecção tiver vingado e o que está hoje errado se tornar correcto?!

 

 


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Pode-se falar brasileiro?

 

Experimentem procurar nos dicionários o significado do substantivo brasileiro. Provavelmente concluirão que se refere apenas àquele que é habitante ou natural do Brasil.

Contudo, hão-de concordar : quase toda a gente já disse ou ouviu dizer a expressão "falar brasileiro" - a propósito da dobragem de um filme de animação (dantes eram todos em brasileiro, agora são falados no "nosso português"!), ou simplesmente do sotaque de alguém.
Pois, se o verbo falar se refere à expressão oral, à pronúncia, (aliás, até existe o substantivo falar, precisamente com essa acepção), é normal que as pessoas falem de acordo com as variantes geográficas com as quais se identificam: madeirense, brasileira, açoriana, alentejana, nortenha e por aí fora.
O problema é que esses gentílicos, com o significado de "relativo a, ou proveniente de", são adjectivos. Mas quando os usamos em frases como "o filme é falado em brasileiro", ou "ela fala açoriano quando está com a família" eles tornam-se nomes, assumindo o significado de sotaque, ou modo de falar característico do país ou região a que cada gentílico se refere. E, enquanto nomes, não têm essa acepção nos dicionários...
Porém, há uma honrosa excepção: o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa regista assim um dos significados do substantivo brasileiro (que considera um lusitanismo, usado em registos informais): «a língua portuguesa tal como é usada no Brasil».

 


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Quis, pus, quiseres, puseres, quiseste...



É grande a tentação de escrever certas formas dos verbos pôr e querer com z – aquelas em que a vogal s tem esse som (o que acontece sempre que está entre duas vogais).
Muitos são, até, os que já nem têm dúvidas: escrevem “quiz”, “puzeres”, “quizeste”, com segurança e à-vontade, infelizmente.
Mas para aqueles que se questionam sobre a forma correcta de grafar estas e outras palavras, que gostariam de encontrar uma maneira fácil e inequívoca de saberem quando é que devem usar o z nas formas verbais, aqui fica uma verdade simples e eficaz: só se escrevem com z as formas dos verbos que no Infinitivo têm z. Assim, não restam dúvidas de que pus, puseste (de PÔR) e quiseres (de QUERER) se grafam com s, ao contrário de fizeres (de FAZER), traz e trazeres (de TRAZER) - embora em todas elas o som dessas duas consoantes seja o mesmo.

 

 


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Pudermos ou podermos?


Muito boa gente confunde as flexões poder(es/mos/em) e puder(es/mos/em) do verbo poder.

A primeira pertence ao Infinitivo Pessoal e usa-se sobretudo com preposições como para ou de, por exemplo em frases do tipo: "Para poderem escrever bem, devem ler muito!" ou "O facto de podermos sair mais cedo não obriga a que o façamos."
A segunda corresponde ao Futuro do Conjuntivo e usa-se com as conjunções se e quando, em orações subordinadas condicionais ou temporais, como nestas frases: "Se puderem, leiam este livro durante as férias", ou "Quando pudermos, iremos ter contigo."

Para as distinguir, convém notar que a diferença não é apenas visível (levando à tal hesitação entre escrever a forma verbal com o ou com u), é também audível: nas flexões que se grafam com u (as do Futuro do Conjuntivo), o som do e é sempre aberto ("é"). Se o som do e, pelo contrário, for semi-fechado ("ê"), é garantido que a forma em causa se escreve com o.
Simples, não?
 

 

 


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