A Guerra de Troia

A grande força grega, cujos maiores heróis eram Agamémnon, Menelau, Ulisses e Aquiles, estava pronta para partir. E assim foi.

No sétimo ano de guerra, os troianos tinham fugido da matança de Aquiles e buscado refúgio atrás de suas muralhas, mas Heitor permaneceu fora dos portões, deliberadamente esperando pelo duelo que sabia ter que enfrentar. Quando Aquiles finalmente surgiu, Heitor foi tomado de compreensível terror e virou-se para fugir. Percorreram três voltas ao redor das muralhas de Troia antes que Heitor parasse e destemidamente enfrentasse seu bravo oponente.

A lança de Aquiles alojou-se na garganta de Heitor, caindo este ao chão. Mal podendo falar, Heitor pediu a Aquiles que permitisse que seu corpo fosse resgatado após sua morte, mas Aquiles estando furioso, negou seu apelo e começou a sujeitar o corpo de Heitor a grandes indignidades. Primeiro arrastou-o pelos calcanhares ao redor das muralhas da cidade, para que toda Troia pudesse ver. A seguir levou o corpo de volta ao acampamento grego, onde este ficou jogado sem cuidados em choupanas.

Após a morte de Heitor, um grande número de aliados veio ao auxílio dos troianos, incluindo as Amazonas e os Etíopes. Todos foram mortos por Aquiles, mas ele sempre soube que estava destinado a morrer em Troia, longe de sua terra natal.

Príamo, pai de Heitor, pede ajuda às Ninfas do Mar e a Poseidon, querendo saber o ponto fraco de Aquiles e descobre que a mãe sua mãe, Tétis, quis tornar seu filho imortal e quando este era ainda um bebé, levou-o ao Mundo Inferior e o submergiu nas águas do rio Estige; isto tornou seu corpo imune aos ferimentos, exceto pelo calcanhar, o qual ela utilizou para segurá-lo, justamente onde foi atingido pela flecha lançada do arco de Príamo.

Após a morte de seu maior campeão, os gregos recorreram à astúcia nos seus esforços de capturar Troia, que tinha aguentado seu cerco por dez longos anos. Ulisses teve a ideia de construir um cavalo de madeira para ser ofertado aos troianos, como símbolo de sua rendição. Ao ficar pronto, um grupo composto pelos gregos mais corajosos, incluindo Ulisses, entrou no cavalo e rumaram a Troia.

O cavalo de madeira foi ofertado a Príamo por Euríloco, um grego que fingia trair seu povo em troca de perdão. Laocoonte, considerado um adivinho em Troia, alertou que o presente era uma armadilha. Disse ainda que os troianos não deveriam confiar no presente dos gregos. Logo em seguida as serpentes de Poseidon o enlaçaram e estrangularam. Com este augúrio, os troianos não hesitaram mais e começaram a mover o grande cavalo para dentro de suas muralhas, derrubando suas fortificações de modo a poder fazê-lo entrar. Hoje em dia usamos muito a expressão "presente de grego", que surgiu nessa ocasião.

Ao cair da noite, os heróis que estavam confinados dentro do cavalo, estando pronta a cena para o saque de Troia, saíram de seu esconderijo e começaram a matança. Os homens lutaram desesperadamente, resolvidos a vender caro suas vidas, horrorizados pela visão de suas mulheres e filhos sendo arrancados de seus refúgios para serem mortos ou aprisionados. Mais deplorável foi a morte de Príamo, assassinado no altar de seu parque por Neoptólemo, filho de Aquiles.

Ao findar a batalha, Ulisses chega à beira-mar e desafia os deuses dizendo: "Viram, deuses do mar e do céu, eu conquistei Troia. Eu, Ulisses, um mortal de carne e osso, de sangue e mente. Não preciso de vocês agora. Posso fazer qualquer coisa". Poseidon, sentindo-se ofendido pergunta o porquê de estar sendo desafiado e lembra de que sua ajuda foi crucial ao mandar suas serpentes matar Laocoonte, só assim o cavalo pôde ser introduzido em Troia.

Irado por Ulisses recusar-se a agradecer e por sua arrogância, Poseidon diz que os homens não são nada sem os deuses e o condena a vagar para sempre em suas águas e nunca mais voltar a costa de Ítaca. Ulisses não se arrepende e diz que nada nunca o deterá.

Seguem-se dez longos anos até que Ulisses volte à sua terra natal, sendo este período narrado na Odisseia.

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