A descoberta de caminho marítimo para a Índia

O alargamento territorial por via marítima não era novidade em Portugal, visto que já no reinado de D. Afonso IV (1325-1357) se tinha realizado uma expedição às Canárias. A navegação de longa distância fazia-se há muito, e recebera particular impulso com D. Dinis (1279-1325); mas os navios seguiam rotas ao longo da costa, condição fundamental para garantir o abastecimento e diminuir os riscos.

Para que a viagem de Bartolomeu Dias fosse possível, os portugueses tiveram de construir a caravela, um navio revolucionário para a época: rápido, leve, ágil, capaz de navegar tanto em alto mar como junto à costa, foi o verdadeiro instrumento das viagens de descoberta.

A caravela estava equipada com velas triangulares (velas latinas), importantes para que fosse possível bolinar, isto é, navegar mesmo quando os ventos eram contrários. Foram também utilizados, pela primeira vez, meios práticos e seguros de fazer cálculos astronómicos e determinar a posição e a rota dos navios, com instrumentos como o astrolábio, o quadrante e a balestilha.

O feito de Bartolomeu Dias teve longos antecedentes de tentativas, estudos e esforços científicos. O próprio Infante D. Henrique se rodeou, na sua casa de Lagos, de um conjunto de cosmógrafos e cartógrafos de origem catalã, maiorquina e genovesa, com o objetivo de preparar devidamente os comandantes das suas expedições. Foi esta a verdadeira “escola náutica”. Os resultados deste esforço foram notáveis: pela primeira vez fazia-se navegação astronómica, rigorosa e científica.

Em 1488, o pequeno grupo de navios conduzidos por Bartolomeu Dias, que seguia ao longo da Costa Ocidental de África, ignorando que estava muito perto do seu extremo, desviou-se cerca de 30º para sul, e encontrou-se em pleno Atlântico, sem conseguir avistar terra.  Para retomar o contacto com a costa, as caravelas tiveram de seguir para nordeste, e acabaram por dobrar o temível cabo das Tormentas, identificado n' Os Lusíadas com a figura do gigante Adamastor, que parecia marcar o fim do mundo. A frota estava a leste do Cabo, pela primeira vez na história dos Descobrimentos portugueses. A zona passou a ter o nome de Cabo da Boa Esperança.

A dobragem do cabo da Boa Esperança foi simultaneamente o descobrimento da passagem para o oceano Índico, e o apontar do caminho para o Oriente tão desejado, terra rica e promissora, quase mítica no imaginário europeu.

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