Despedida de Belém / Restelo

Foi no dia 8 de julho de 1497 que a armada portuguesa, capitaneada por Vasco da Gama, partiu  rumo ao desconhecido. Uma enorme multidão concentrou-se na praia de Belém para assistir à partida dos marinheiros seus amigos ou familiares.

O tema deste excerto lírico é emotivo do ponto de vista sentimental, pois é revelada uma enorme saudade por aqueles que vão “navegar” e por aqueles que ficam.

É um episódio constituído por uma primeira parte, em que se descreve o local da partida e o alvoroço geral dos últimos preparativos da viagem, estando as naus já preparadas e os nautas na ermida de Nossa Senhora de Belém orando.

Numa segunda parte, em que Gama e os seus marinheiros passam por entre a multidão para chegar aos batéis, num caminho desde o “santo templo”, destacam-se as evocações de mães e esposas acerca da partida, criando um entristecimento na emotiva despedida do Restelo.

Finalmente, na terceira parte, é referido o embarque em que, por determinação de Vasco da Gama, não se fazem as despedidas habituais no sentido de minorar, reduzir o sofrimento.

Também se pode considerar a importância desta viagem para Portugal, pois para além dos proveitos que poderia trazer ao reino, simbolizava, acima de tudo, um perigo.

No momento da largada ergue-se a voz de um respeitável velho _ Velho do Restelo _ que sobressai de entre todas as que se tinham feito ouvir até então. Ela representa todos aqueles que se opunham à louca aventura da Índia e preferiam a guerra santa no Norte de África.

Se as falas das mães e das esposas representam a reação emocional àquela aventura, o discurso do velho exprime uma posição racional, fruto de bom senso da experiência (“tais palavras tirou do experto peito”) e do sentido das vozes anónimas ligadas ao cultivo da terra, sobretudo no norte do país, defensoras de uma política de fixação oposta a uma política de expansão com adeptos mais a sul.

Lê aqui o texto do episódio e a paráfrase  

 

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