O Renascimento

O Renascimento foi um movimento cultural e intelectual que teve origem em Itália, no século XIV, e seu apogeu, no século XV, alastrando ao resto da Europa, no século XVI.

O Renascimento é um movimento de renovação, caracteriza-se por uma renovação científica, literária e artística, com base na imitação de modelos e valores artísticos da Antiguidade Clássica.

A designação de «Renascimento» indica uma época dotada de individualidade própria, caracterizada por um novo espírito crítico, um escrupuloso desejo de restituir os textos greco-latinos à pureza original, um juvenil entusiasmo pela Antiguidade tomada em si mesma, uma confiança nova nas forças naturais do Homem ( medida de todas as coisas).

Em Portugal, o séc. XVI apresenta uma fisionomia particular. A grande contribuição portuguesa para o Renascimento foram os Descobrimentos, que desvendaram novos climas, e paisagens, e faunas, e floras, e costumes, alargando assim o conhecimento do Mundo e do Homem, dando alimento à fome do exótico, aguçando o sentido do relativo, ostentando a primazia da observação e da experiência sobre o saber livresco.

 

Por Renascimento entende-se um movimento que tende a levar o homem ao estudo científico do mundo, a basear-se mais na razão e na experiência, a imitar a Antiguidade Clássica.

                                      

                                         Classicismo - é uma época literária em que vigora uma estética que segue os modelos greco-latinos.

                                                            Os Humanistas assumiam atitudes espirituais que vão refletir-se em toda a escrita do Renascimento. Considerava-se a verdadeira «nobreza», sendo o saber as línguas clássicas e o conhecimento da cultura greco-latina o seu brasão.

 

O DOLCE STIL NUOVO SUBSTITUI AS FORMAS TRADICIONAIS DA MEDIDA VELHA.

 

No espaço ideológico e cultural, o Humanismo e o Renascimento mudaram profundamente os valores humanos da Idade Média

 

Idade Média

Renascimento

teocentrismo medieval

Antropocentrismo renascentista

alma / fé

razão e sensações

céu

Terra

Aristotelismo

ceticismo e platonismo

 Intolerância religiosa

Tolerância – pacifismo

 Teologia

Humanidades (história, filosofia, letras Clássicas)

Condenação do corpo

Valorização do corpo /anatomia de tipo apolíneo (harmonia, equilíbrio, proporção, simetria )

alegoria

mitologia greco-latina

 

O Renascimento em Portugal

O movimento renascentista começou a dar os seus primeiros passos , em Portugal, a partir de meados do século XV, através de alguns filhos de D. João I e de outros escritores ligados à corte. Mas é graças a Sá de Miranda que a estética renascentista se desenvolveu em Portugal.

Dolce stil nuovo

Expressão criada por Dante que servia para designar a poesia da sua juventude e de outros poetas contemporâneos, reunidos em Florença nos fins do século XIII e princípios do XIV. O dolce stil nuovo caracteriza-se por uma nova conceção do amor, segundo a qual somente o coração nobre, límpido, é capaz do verdadeiro amor, e, em contrapartida, o amor apenas habita o coração nobre .

Amor deve elevar os seres, platonicamente, de grau em grau até à contemplação suprema das ideias puras. O amor é entendido como um sentimento espiritual que transfigura os amantes pela visão de uma bem-aventurança.

 Medida Nova

A escola clássica mais exigente quanto à modelação da matéria poética do que a escola tradicional, introduziu o decassílabo (metro que dá possibilidades mais amplas de expressão) e novos géneros de estrutura poemática greco-latina ou italiana – soneto, canção, sextina, écloga, elegia, ode, epitalâmio, epigrama, epístola, oitava.

· Soneto

O soneto é uma composição poética de catorze versos, dispostos em duas quadras e dois tercetos. Apesar de ter sido criado no séc. XIII, foi Petrarca (1304-1374) quem teve o mérito de lhe emprestar uma forma e um conteúdo que se tornariam modelares, não só na Itália como em outros países da Europa.  O soneto foi introduzido em Portugal por intermédio de Sá de Miranda.

 

 

Amor é um fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões

Estética da imitação

É difícil no nosso tempo, que acima de tudo aprecia e valoriza a originalidade, compreender o que significa uma estética da imitação. O poeta do Renascimento imita os clássicos e os poetas modelares, procurando deste modo aproximar-se e aprender a lição dos grandes autores. Contudo a veneração e admiração pelos mestres não impede a criação de uma obra original que se atreve até a rivalizar com os modelos e a reivindicar insistentemente a sua originalidade (basta pensar em Os Lusíadas).

Grande parte dos sonetos de Camões inspiram-se diretamente em Petrarca[1] e isto não diminuí minimamente a suprema beleza dos sonetos camonianos

[1] Francesco Petrarca (1304 -1374) nasceu em Arezzo, Itália. Poeta e humanista, a sua influência domina a literatura europeia até ao século XIX. Na poesia de Luís de Camões, detetamos características literárias do poeta italiano na maneira como são retratados: a mulher (fisicamente, de olhos claros, loura e pele branca; psicologicamente, serena, humilde e bondosa); a paisagem (como cenário ou como reflexo do estado de alma) e o amor (com as suas contradições)...

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